Vila Verde
Sítios Arqueológicos Castrejos
Castro de Barbudo
Visitado a 8 de junho de 2025
Começando pelo Castro de Barbudo, localizado na freguesia de Moure, selecionado por ser classificado como Imóvel de Interesse Público desde 1986. Este é também um claro exemplar de um povoado castrejo que terá sido continuamente habitado até à Idade Média, tendo sido construído na época um castelo medieval defensivo na sua acrópole, daí também ser conhecido como Castro do Monte do Castelo. Bem, do castro e do castelo não se vislumbra qualquer estrutura ou ruína. O topo do monte onde se encontram ambos é de difícil acesso, feito através de estradões florestais rasgados por grandes valas criadas por enxurradas de águas nas tempestades de inverno. Além disso o sítio arqueológico encontra-se bastante coberto de vegetação evasiva como giestas de grandes dimensões. Apesar de ter sido alvo de trabalhos arqueológicos no final do século XX e de a sua ficha de inventário da SIPA anunciar a existência de estruturas circulares, correspondentes a habitações, tais não foram visíveis. Aquilo que leva um entusiasta a conseguir entender que nesse local existe de facto um sítio arqueológico é a elevada quantidade de espólio cerâmico visível a céu aberto, tal como pedaços de tegula de grandes dimensões, vestígios comprovantes da romanização e contínua ocupação desse espaço. Notou-se também no local a presença de uma ameaça semelhante à que é vivida noutros castros, marcas de pneus de veículos todo-o-terreno, comprovando o elevado risco que o sítio arqueológico vive no momento.
Em termos promocionais, para o concelho de Vila Verde o Castro de Barbudo é como se não existisse. Surge apenas em algumas listas de enumeração de património concelhio classificado e nada mais. Não há indícios que seja ou tenha sido aí realizada qualquer atividade ou que esteja a ser planeado pelo município vila-verdense qualquer ação que busque a preservação e valorização deste sítio arqueológico. Talvez a reduzida quantidade de ruínas existentes (no momento da visita nem sequer eram visíveis) justifique esse desinteresse municipal pela sua requalificação. Conclui-se que o Castro de Barbudo, apesar de ser um exemplar de contínua ocupação até à Idade Média, devido à reduzida quantidade de trabalhos arqueológicos desenvolvidos no local e devido ao elevado estado de abandono e de degradação em que se encontra, não possui de momento um forte potencial turístico. Não obstante, a mudança de paradigma em relação ao mesmo com a realização de trabalhos de valorização o possa tornar num relevante recurso turístico do próprio concelho.
Citânia de São Julião de Caldelas
Visitada a 8 de junho de 2025
Por último, mas não menos importante, surge a Citânia de S. Julião de Caldelas, seguramente o mais relevante povoado castrejo do concelho de Vila Verde, selecionado por estar classificado como Imóvel de Interesse Público desde 1982. Trata-se de um povoado de grandes dimensões, que sofreu de diversos trabalhos arqueológicos ao longo do século XX. Neste sítio arqueológico foram descobertos vários achados relevantes para a história da Cultura Castreja no seu todo, como um excelente exemplar de uma estátua de guerreiro galaico (ainda que sem cabeça), hoje exposta no Museu de Arqueologia D. Diogo de Sousa (Braga). Na sua acrópole for erigida também uma pequena ermida com orago a S. Julião, onde se costuma realizar uma romaria anualmente. Apesar desta relevância histórica e, até da existência de sinalética rodoviária nas proximidades, a citânia demonstra fortes sinais de abandono. O acesso é feito por um caminho florestal, facilmente percorrido com um veículo como um jipe, cujas bordas estão cobertas de uma grande quantidade de mato. Ao longo da subida são visíveis poucos vestígios de habitações de planta circular e retangular. Na sua acrópole não se encontra nenhuma ruína, apenas vestígios do que terá sido em tempos idos um parque de merendas da ermida aí existente. Na visita efetuada a este mesmo local em 2022, existia junto à ermida um pequeno painel informativo (que até possuía um código QR que na altura não estava funcional). Já na visita realizada em 2025, tal painel informativo não existia, sendo verificado no local sinais de que teria sido arrancado. Destacar que apesar de abandonado, as ruínas estavam mais visíveis em 2025 do que em 2022, seguramente por trabalho feito pela autarquia local ou pela comissão de festas na limpeza do monte algum tempo antes da visita realizada.
Quanto à sua promoção, o mesmo vivido pelo Castro de Barbudo se passa na Citânia de S. Julião. Numa breve passagem pelo posto de turismo local, foi perguntado se existia qualquer material educativo ou informativo sobre o mesmo e nenhum técnico presente sabia sequer da existência desse recurso. Existe uma breve referência ao sítio arqueológico no website do Porto e Norte de Portugal. Algo animador foi a elaboração em 2024 de um protocolo entre o município de Vila Verde e a Universidade do Minho para a realização de escavações em diversos sítios arqueológicos do concelho com o intuito, de acordo com a presidente da Câmara Municipal de Vila Verde, a Dra. Júlia Fernandes, de "[…] disponibilizar às pessoas para visitar e conhecer melhor estes achados e a história das nossas terras e dos nossos antepassados […]". Em 2025, na visita efetuada ao local não foi possível verificar qualquer trabalho feito neste sítio arqueológico nem no Castro de Barbudo realizado noâmbito desse protocolo. À semelhança de outros locais da cultura castreja, a Citânia de S. Julião de Caldelas possui também uma lenda associada sobre a existência de um enorme túnel de conexão do castro com o rio Homem, utilizado supostamente por mouros para dar de beber aos seus cavalos sem serem avistados pelos seus inimigos. À entrada desse túnel um conjunto de mouras encantadas penteavam os seus cabelos loiros. Deve-se também salientar que a citânia fez parte do projeto CASTRENOR, tendo tido avaliação positiva também para incorporar o elenco da candidatura a Património Mundial da UNESCO. Em 2025 passou a integrar o projeto da CCDR-Norte da Rota Castros a Norte, no âmbito das candidaturas das Rotas a Norte.
Pode-se então concluir que a Citânia de S. Julião pela sua dimensão, riqueza do seu espólio e importância histórica (pois seria o principal povoado daquela região) possui um enorme potencial ainda por "escavar". A existência de um protocolo elaborado entre o município de Vila Verde e a Universidade do Minho é um bom primeiro passo, mas ainda deficitário para devolver àquele local a grandeza que realmente merece.
Bibliografia
Câmara Municipal de
Vila Verde, 2022. Barbudo. [Online]
Available at: https://www.cm-vilaverde.pt/locais/barbudo/
[Acedido em 24 agosto 2025].
Direção-Geral do Património
Cultural, 1998. Castro de Barbudo / Monte do Castelo. [Online]
Available at: https://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=1080
[Acedido em 24 agosto 2025].
Direção-Geral do
Património Cultural, 1998. Citânia de São Julião de Caldelas. [Online]
Available at: https://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=1083
[Acedido em 24 agosto 2025].
Freguesia de Vila Verde
e Barbudo, s.d. Património Histórico. [Online]
Available at: https://www.freguesiavilaverdeebarbudo.pt/index.php/about/assembleia
[Acedido em 24 agosto 2025].