Santa Maria da Feira


Sítios Arqueológicos Castrejos

Castro de Fiães

Visitado a 19 de julho de 2025

Iniciando pelo Castro de Fiães, este foi selecionado por se encontrar em vias de classificação de proteção. Localizado num pequeno esporão, este sítio arqueológico, à semelhança do anteriormente apresentado Castro de Ossela, foi praticamente destruído devido a sucessivas construções de urbanizações e também à instalação de uma pedreira nas suas imediações. Apesar de se tratar de um bem cultural em vias de classificação, tal não impediu a destruição significativa do sítio arqueológico. A construção, no século XVI, de uma pequena capela dedicada a Nossa Senhora da Conceição terá constituído um dos primeiros fatores de alteração do local. De acordo com Almeida & Santos (1993), o Castro de Fiães poderá corresponder à desaparecida cidade romana de Lancóbriga, associada à antiga via Antonina, embora esta hipótese ainda careça de investigação aprofundada. O local é, de facto, desolador. Ao chegar, encontra-se a capela, bastante degradada, e uma pequena via denominada Rua do Castro, rodeada por habitações, mas do castro não resta qualquer vestígio visível. No local onde supostamente poderão ainda existir alguns restos arqueológicos, observa-se apenas uma densa vegetação invasora e lixo urbano, não sendo identificáveis quaisquer vestígios arqueológicos. Os olhares desconfiados de alguns habitantes da rua contribuem para a perceção de que o visitante não é bem-vindo, talvez porque a ocupação urbanística atual represente, simbolicamente, a destruição definitiva daquele sítio arqueológico. O espólio arqueológico encontra-se atualmente depositado no Museu do Convento dos Lóios, junto ao Castelo da Feira, numa sala exclusivamente dedicada ao Castro de Fiães. Este conjunto integra sobretudo peças cerâmicas relacionadas com atividades de tecelagem e de uso doméstico, nomeadamente cozinha.

Em termos de valorização e promoção, o Castro de Fiães encontra-se praticamente ausente do discurso institucional do município de Santa Maria da Feira, com exceção da sua presença no núcleo expositivo do Museu do Convento dos Lóios. A Junta de Freguesia local, por sua vez, faz apenas uma breve referência ao povoado no enquadramento histórico da zona. Importa ainda referir que, em 2021, um dos candidatos à autarquia local, Ivo Gomes, pelo Partido Socialista, incluiu no seu programa eleitoral a recuperação do sítio arqueológico. Contudo, não tendo sido eleito, essa proposta não chegou a ser implementada.

Em suma, o Castro de Fiães constitui mais um exemplo de um sítio arqueológico de elevada relevância, não apenas castreja, mas também romana, que, devido ao crescimento urbano desordenado e à ausência de planeamento adequado, foi praticamente destruído. Em entrevista, a Dra. Paula Magalhães, da Câmara Municipal de Santa Maria da Feira, referiu que, uma vez que o Castro de Fiães não é um espaço visitável, as atividades culturais e educativas relacionadas com este são desenvolvidas "[…] a partir do Museu do Convento dos Lóios, onde existe um núcleo expositivo sobre o Castro de Fiães e onde são dinamizadas várias atividades pedagógicas direcionadas às escolas, mas também às famílias […]". Assim, perde-se não apenas parte da história de Fiães, mas também uma parcela significativa da memória coletiva de toda a região.


Castro de Romariz

Visitado a 19 de julho de 2025

A visita a Terras de Santa Maria termina com a passagem pelo Castro de Romariz, o último sítio visitado no distrito de Aveiro, selecionado para este estudo por estar classificado como Imóvel de Interesse Municipal desde 1945, integrando igualmente diversos projetos relevantes para a conservação e valorização da cultura castreja do noroeste do país. De facto, este último revelou-se o mais bem preservado. O Castro de Romariz constitui um excelente exemplar da cultura castreja em toda a região noroeste, tendo chegado a integrar o conjunto de sítios arqueológicos propostos na candidatura, entretanto não concretizada, a Património Mundial da UNESCO. Integrava igualmente o projeto da Rede de Castros do Noroeste e encontra-se atualmente incluído na Rota dos Castros a Norte, promovida pela CCDR-Norte. O local encontra-se vedado, como seria expectável, sendo a visita apenas possível mediante marcação obrigatória com 48 horas de antecedência. Não tendo sido realizada qualquer marcação prévia à data da visita, o sítio arqueológico foi ainda assim observado, tendo sido possível o acesso através da abertura do portão de entrada, o que evidencia que, apesar da vedação, o controlo de acessos não é totalmente eficaz, permitindo a entrada no recinto sem grande dificuldade.

Logo junto à entrada, verificam-se vestígios de intervenções arqueológicas recentes, demonstrando um elevado investimento e empenho do município de Santa Maria da Feira neste assentamento castrejo. O castro é composto por um conjunto significativo de estruturas habitacionais, tanto de planta circular como de planta retangular, destacando-se ainda uma grande domus romana na sua vertente sul. O sítio encontra-se exemplarmente cuidado em termos de limpeza e manutenção; contudo, a ausência de painéis informativos ao longo do percurso e de passadiços estruturados dificulta a leitura do espaço e a orientação da visita, podendo mesmo levar a comportamentos que coloquem em risco a preservação do património, como a subida indevida a estruturas arqueológicas. O único painel existente encontra-se à entrada, contendo um mapa do sítio e informação relativa ao agendamento de visitas guiadas. O espólio arqueológico encontra-se depositado e exposto no Museu do Convento dos Lóios, no centro de Santa Maria da Feira, numa sala exclusivamente dedicada a este sítio arqueológico. Nessa mesma sala podem também ser observadas maquetas de reconstrução do castro, constituindo um complemento relevante à visita ao terreno.

No que respeita à sua promoção, o município apresenta o Castro de Romariz como "[…] uma das estações arqueológicas mais expressivas da região de Entre Douro e Vouga […]", sendo igualmente considerado pela junta de freguesia local como o seu principal monumento. Também os estabelecimentos hoteleiros da região promovem este recurso arqueológico como um dos principais pontos de interesse histórico do concelho. De acordo com a Dra. Paula Magalhães, a promoção do Castro de Romariz é realizada através das plataformas digitais do município de Santa Maria da Feira e do Museu do Convento dos Lóios, bem como através da criação de programas educativos e culturais dirigidos sobretudo à comunidade escolar, mas também ao público em geral, da sua integração em roteiros culturais municipais e temáticos e da produção de brochuras informativas sobre o sítio. O portal oficial do património e museus da Área Metropolitana do Porto reforça a sua relevância, incluindo-o entre os principais sítios arqueológicos a visitar, a par de outros povoados de referência como o Castro de Monte Padrão (Santo Tirso), o Castro de Alvarelhos (Trofa) e a Cividade de Bagunte (Vila do Conde). Por sua vez, no contexto da rede do Eixo Atlântico, o castro é igualmente promovido como um dos principais recursos turísticos, em conjunto com outros importantes sítios da região, como a Citânia de Briteiros (Guimarães), a Citânia de Santa Luzia (Viana do Castelo) e a Cividade de Terroso (Póvoa de Varzim), entre outros. Refira-se ainda a existência de vontade política para a aquisição dos terrenos envolventes ao povoado, uma vez que se estima que apenas cerca de um quarto da área total do sítio arqueológico tenha sido escavada.

Outro aspeto positivo a destacar é a realização de um evento de animação castreja denominado Regresso às Origens, que em 2025 terá a sua 10.ª edição. O Castro de Romariz foi ainda objeto de diversos documentários, incluindo a sua presença num episódio do programa televisivo da RTP Alma e a Gente — Hoje Vamos à Feira, conduzido pelo Professor Doutor José Hermano Saraiva. O principal aspeto negativo associado a este povoado castrejo prende-se com a obrigatoriedade de marcação prévia para visita, informação que no local apenas se encontra disponível num painel e exclusivamente em língua portuguesa, o que limita o acesso por parte de visitantes estrangeiros. Em contexto de campanha autárquica, em 2021, a candidata Bárbara Pinto, pelo Bloco de Esquerda, utilizou como exemplo um grupo de turistas austríacos que, ao chegar ao local, não compreendeu como proceder para o visitar, devido às restrições de acesso acima referidas. Segundo a Dra. Paula Magalhães, chefe de gabinete de turismo da Câmara Municipal de Santa Maria da Feira, a estratégia municipal centra-se no Castro de Romariz (por ser o único espaço atualmente visitável), bem como na oferta cultural e educativa promovida pelo Museu do Convento dos Lóios. Acrescenta ainda que se encontra em desenvolvimento um projeto de requalificação do sítio arqueológico, que prevê a construção de um centro interpretativo no local e a melhoria da sua envolvente.

Em síntese, o Castro de Romariz é, sem dúvida, o sítio arqueológico do distrito de Aveiro que apresenta melhores condições de visitação e maior potencial turístico, evidenciando uma clara aposta política na ampliação da área escavada e conhecida, bem como na dinamização do espaço através de visitas guiadas e eventos de animação cultural castreja. 


Espaços Museológicos

Museu Convento dos Loios

Visitado a 19 de julho de 2025

No município de Santa Maria da Feira, o único espaço museológico onde é possível conhecer mais sobre a cultura castreja é o Museu do Convento dos Lóios, instalado no convento homónimo, nas proximidades do importante Castelo da Feira. O museu, de entrada paga, é dedicado à história do concelho, destacando também a etnografia e as tradições locais, bem como a obra de pintores feirenses como António Joaquim e outras expressões de artes plásticas. À entrada, é disponibilizado um audioguia que acompanha o visitante e explica detalhadamente cada uma das salas. Relativamente à coleção arqueológica, esta encontra-se organizada essencialmente em duas salas: uma dedicada inteiramente ao Castro de Romariz e outra ao Castro de Fiães.

No caso da sala dedicada ao Castro de Romariz, é possível observar algumas maquetas do sítio e de um dos seus núcleos habitacionais, incluindo a sua domus romana. Para além do espólio cerâmico de uso doméstico, destacam-se igualmente alguns achados do período de romanização, como um cartibulum, proveniente da referida domus.

Por sua vez, a sala dedicada ao espólio do Castro de Fiães é significativamente mais pequena e, mais uma vez, predominam os achados cerâmicos. Ainda assim, constitui o único espaço onde é possível obter informação e observar vestígios materiais do Castro de Fiães, o qual se encontra praticamente destruído, conforme referido anteriormente. Cada peça exposta possui uma breve descrição, exclusivamente em língua portuguesa.

O Museu do Convento dos Lóios constitui uma referência importante para a compreensão da cultura castreja no concelho, sobretudo devido às suas maquetas e à contextualização museográfica. Além disso, são os seus técnicos que asseguram a realização de visitas guiadas ao Castro de Romariz, mediante marcação prévia.


Bibliografia

Almeida, C. & Santos, E., 1971. O Castro de Fiães. Revista da Faculdade de Letras, Volume 2, pp. 147-168.

Câmara Municipal de Santa Maria da Feira, s.d. Castro de Romariz. [Online]
Available at: https://cm-feira.pt/castro-de-romariz
[Acedido em 15 agosto 2025].

Central Press, 2024. Recriação histórica no Castro de Romariz Uma Viagem à Época Túrdula de 13 a 15 de Setembro. [Online]
Available at: https://centralpress.pt/post/c-vita/45353/redacao/2024/08/31/recriacao-historica-no-castro-de-romariz-uma-viagem-a-epoca-turdula-de-13-a-15-de-setembro
[Acedido em 3 outubro 2025].

Direção-Geral do Património Cultural, 2007. Castro de Fiães / Povoado fortificado de Fiães. [Online]
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[Acedido em 29 julho 2025].

Direção-Geral do Património Cultural, 1996. Castro de Romariz / Povoado fortificado de Romariz / Povoado fortificado no monte do Crasto. [Online]
Available at: https://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=3924
[Acedido em 15 agosto 2025].

Eixo Atlântico, s.d. Castro de Romariz. [Online]
Available at: https://vive.eixoatlantico.com/pt-pt/recurso/castro-de-romariz/
[Acedido em 15 agosto 2025].

Facebook, s.d. Regresso às Origens Castro de Romariz. [Online]
Available at: https://www.facebook.com/regressoasorigenscastroromariz/?locale=pt_BR
[Acedido em 15 agosto 2025].

Facebook, s.d. Regresso às Origens Castro de Romariz. [Online]
Available at: https://www.facebook.com/regressoasorigenscastroromariz?locale=pt_BR
[Acedido em 1 outubro 2025].

Feira Pedra Bela Hotel, s.d. Castro de Romariz. [Online]
Available at: https://hotelpedrabela.com/screenin/?q=pt-pt/content/castro-de-romariz
[Acedido em 15 agosto 2025].

iPorto, 2018. Regresso às Origens no Castro de Romariz. [Online]
Available at: https://iporto.amp.pt/eventos/regresso-as-origens-no-castro-de-romariz/
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Jornal N, 2024. Castro de Romariz viveu o "Regresso às Origens". [Online]
Available at: https://www.jornaln.pt/castro-de-romariz-viveu-o-regresso-as-origens-3/
[Acedido em 3 outubro 2025].

Junta de Freguesia de Fiães, s.d. História de Fiães. [Online]
Available at: https://www.jffiaes.com/hist%C3%B3ria
[Acedido em 1 agosto 2025].

Junta de Freguesia de Romariz, s.d. Locais de Interesse. [Online]
Available at: https://jf-romariz.pt/locais-de-interesse/
[Acedido em 15 agosto 2025].

Labor Semanário, 2024. Castro de Romariz regressa às origens. [Online]
Available at: https://labor.pt/2024/09/12/castro-de-romariz-regressa-as-origens/
[Acedido em 3 outubro 2025].

Museus e Património Cultural da Área Metropolitana do Porto, s.d. Castro de Romariz. [Online]
Available at: https://pin.amp.pt/recurso/101
[Acedido em 15 agosto 2025].

NIT, 2025. Regresso Às Origens no Castro de Romariz, Santa Maria da Feira (de 12 a 14 de setembro). [Online]
Available at: https://www.nit.pt/fora-de-casa/na-cidade/roteiro-nit-12-feiras-medievais-para-visitar-em-setembro/attachment/4-regresso-as-origens-no-castro-de-romariz
[Acedido em 3 outubro 2025].

Silva, P., 2014. A Modelação 3D do Castro de Romariz: Resultados da Aplicação do Modelo de Estudo Foveal. Em: Atas do IX Encontro Nacional de Estudantes de História. Porto: Universidade do Porto, pp. 31-46.