Monção
Sítios Arqueológicos Castrejos
Castro de Nossa Senhora da Graça
Visitado a 20 de junho de 2025
Primeiramente, apresenta-se e analisa-se o Castro de Nossa Senhora da Graça, integrado nesta investigação por pertencer à Rota dos Castros do Alto Minho. Este castro é de pequenas dimensões, sendo apenas visíveis as ruínas de algumas habitações de planta circular ao longo das laterais da estrada de acesso ao topo do monte onde se encontra. A elevada vegetação evasiva acaba por cobrir as poucas ruínas visíveis. À chegada ao topo do monte, encontra-se um pequeno painel informativo, com informações em português, espanhol e inglês, bem degradado e queimado pelo sol. No topo existe ainda uma pequena capela com orago a Nossa Senhora da Graça, bem como um pequeno coreto e alguns edifícios de suporte à comissão de festas. Em conversa com a arqueológa do município de Monção, a Dra. Odete Barra, foram realizadas terraplanagens e construções ilegais pela Comissão de Festas de Nossa Senhora da Graça que acabaram por ser embargadas pela Câmara Municipal de Monção. Essas ilegalidades poderão ter destruído partes do sítio arqueológico em si. Há que salientar que o município monçanense adicionou o sítio arqueológico à Rota dos Castros da CIM Alto Minho, bem como ao seu mapa turístico concelhio, ainda que só aí exista um painel informativo e poucas ruínas visíveis.
Em termos promocionais no mundo digital, o Castro de Nossa Senhora da Graça possui ainda uma página a ele dedicada no website turístico oficial de Monção. Conclui-se, portanto, que o sítio arqueológico apesar dos seus bons acessos e da fantástica paisagem não possui ainda capacidade de usufruição turística. O trabalho que tem vindo a ser realizado pelo concelho de Monção na sua promoção acaba por não corresponder no terreno. É necessário primeiro efetuar uma preservação e valorização no terreno e seguidamente proceder à sua divulgação para usufruição turística. Dessa forma pode-se evitar algum tipo de descontentamento e quebra de expectativas que os possíveis visitantes poderão ter ao ver o recurso divulgado no mapa turístico que afinal se encontra também em elevado estado de degradação.
Castro de São Caetano
Visitado a 20 de junho de 2025
De seguida, na freguesia de Longos Vales, localiza-se o mais afamado castro monçanense: o Castro de S. Caetano, classificado como Monumento Nacional desde 1974. Este povoado castrejo que terá tido uma dimensão considerável, apenas possui um pequeno núcleo habitacional escavado e visível. O local encontra-se minimamente limpo e mantido, possuindo ainda um enorme painel informativo sobre o povoado castrejo com fotografias do local e aéreas acompanhadas de conteúdo explicativo apenas em português. Junto às ruínas castrejas existe ainda um importante templo religioso dedicado a S. Caetano, cuja construção remonta aos séculos XVII e XVIII. Existe ainda logo antes do entroncamento de acesso á zona arqueológica, um edifício no qual operou durante alguns anos o Centro Interpretativo do Castro de S. Caetano. O local serviria como centro de acolhimento ao visitante, disponibilizando muito mais informação não só sobre o Castro de S. Caetano em si, como da vida castreja no geral, através de painéis expositivos. Atualmente, o centro já não utilizado com esse propósito, com exceção de algumas visitas da comunidade escolar monçanense. Numa parte do edifício encontra-se depositado uma elevada quantidade de espólio quer do Castro de S. Caetano como de outros povoados castrejos e sítios arqueológicos do concelho de Monção. Tal como foi dito pela Dra. Odete Barra, o local agora está mais orientado como centro de apoio à divisão de arqueologia municipal, tendo perdido já a sua função museológica. O local não possui trabalhos arqueológicos há mais de 10 anos e de acordo com a Dra. Odete Barra tal se deve à repentina falta de interesse por parte de algumas instituições de ensino superior como a Universidade do Minho, que costumavam fazer programas de verão aí para os seus alunos de arqueologia. Além disso, a equipa de arqueólogos municipais é muito pequena, o que impossibilita que existam grandes esforços, devido à falta de recursos humanos (e também financeiros). O Castro de S. Caetano para além de ser um dos membros da Rota dos Castros da CIM Alto Minho, desde a sua criação, tem se assumido como um dos principais porta-estandarte da cultura castreja, estando sempre presente em todos os principais projetos de promoção e valorização do património castrejo do noroeste português, como o projeto CASTRENOR e a Rede de Castros do Noroeste.
Em termos promocionais, a Câmara Municipal de Monção promove-o no seu website e mapa turístico, sendo até apresentado como o principal sítio arqueológico monçanense, não se estivesse a falar de um dos poucos monumentos concelhios classificados como Monumento Nacional. A paisagem de tamanha beleza inspirou também a que em 2019 fosse inaugurada uma peça artística chamada de "Torre" no âmbito do programa de arte local "Desencaminharte" que ainda perdura na acrópole do sítio arqueológico. Por fim, pode-se concluir que o Castro de S. Caetano pela sua boa conservação, divulgação, acessibilidade e promoção se pode assumir como o principal povoado castrejo das margens portuguesas do rio Minho, sendo detentor de um forte potencial turístico. De forma a o potenciar ainda mais, em termos turísticos, seria necessário voltar a recuperar o Centro Interpretativo do Castro de S. Caetano, como centro de acolhimento ao visitante, a manter aberta a Igreja de S. Caetano e a voltar a realizar grandes campanhas arqueológicas que aumentem o número de ruínas visíveis no local.
Citânia do Monte da Assunção
Visitado a 20 de junho de 2025
Por fim, no concelho de Monção existe ainda a Citânia do Monte da Assunção, escolhido para entrar nesta investigação por parte do projeto CASTRENOR e da Rota dos Castros do Alto Minho, ainda que não esteja classificado legalmente. Este povoado castrejo surpreende pela sua dimensão e ao mesmo tempo pela elevada quantidade de vestígios visíveis, quer de habitações de planta circular quer de habitações de planta retangular, bem como de arruamentos e linhas de muralha. O acesso até ao topo do monte onde se encontra o sítio arqueológico encontra-se topo calcetado, sendo essa a grande novidade em comparação à visita efetuada ao local em 2022, já que na altura o acesso era efetuado por caminhos florestais em terra batida. O local apresentava-se bem mais limpo do que na visita feita em 2022, contudo o painel informativo que se encontrava logo à sua entrada estava sem qualquer informação. Provavelmente foi retirado o painel e mantida apenas a estrutura. A Citânia do Monte da Assunção possui também junto a ela uma capela com orago a Nossa Senhora da Assunção (construída já no século XVI), um coreto e uma enorme antena de telecomunicações. A terraplanagem feita para a construção desses edifícios levou à destruição de uma parte do povoado. Apesar da sua grande dimensão, não é fácil caminhar por entre as ruínas da citânia, já que muitas vezes é necessário saltar por cima das vezes, colocando-as em risco.
Quando se vê este sítio arqueológico pela primeira vez, custa até acreditar que tal se encontra assim: sem valorização turística e políticas de salvaguarda que realmente a protejam. Esta citânia, juntamente com a Citânia de S. Julião de Caldelas (Vila Verde) são as únicas citânias no território em estudo que não se encontram devidamente musealizadas. Ainda assim, a citânia está presente na Rota dos Castros da CIM Alto Minho, desde a sua elaboração em 2021, tendo também sido membro do projeto CASTRENOR e é promovida pela Câmara Municipal de Monção à semelhança dos demais castros concelhios: no seu website turístico oficial e nos mapas turísticos do destino. Falta aqui um real projeto que vise uma verdadeira valorização deste relevante sítio arqueológico de grandes dimensões. Não parece existir de momento qualquer plano concelhio para tal aconteça. A melhoria da estrada de acesso foi perspetivada mais numa lógica de melhoria dos acessos ao sítio religioso em si e não dos acessos ao sítio arqueológico. Através das observações ao local, concluiu-se que a Citânia do Monte da Assunção possui um enorme potencial graças à sua dimensão e elevada quantidade de vestígios a descoberto, contudo urge elaborar um projeto de salvaguarda desse sítio arqueológico, para o dinamizar e dar a conhecer quer aos habitantes de Monção quer a todos aqueles que visitam esse destino turístico e a região.
Espaços Museológicos
Centro Interpretativo do Castro de São Caetano
Visitado a 20 de junho de 2025
Por sua vez no concelho de Monção, junto ao Castro de S. Caetano, encontra-se o Centro Interpretativo do Castro de S. Caetano. O edifício foi visitado com auxílio com a Dra. Odete Barra da Divisão de Ação Social, Cultura e Turismo da Câmara Municipal de Monção, uma vez que o centro já não se encontra aberto ao público regularmente. Aliás, após conversa, foi obtida a informação que a sua abertura só acontece em caso de visitas da comunidade escolar, onde normalmente realizam atividades lúdicas com os alunos. Atualmente, o edifício serve mais como depósito e laboratório arqueológicos dos diversos achados do Castro de S. Caetano e de outros sítios arqueológicos monçanenses. Contudo, ainda é percetível ver o seu espaço expositivo, onde se encontram alguns painéis informativos em português acompanhados de fotografias, mapas e desenhos. Nestes, o visitante poderia conhecer mais sobre os castros do concelho de Monção, a organização dos povoados, como era efetuado o povoamento e outras características generalizadas da cultura castreja do noroeste peninsular. Atualmente, não existe por parte do município nenhum plano de reabertura efetiva ou melhoria do centro de interpretação, ainda que o mesmo seja divulgado como um espaço museológico no site turístico oficial de Monção. Em tempos serviu como um importante ponto de partida para conhecer mais sobre o Castro de S. Caetano e a proto-história monçanense, mas atualmente, devido às dificuldades que existem para o visitar, tal não compensa.
Estação do Tempo dos Castros da Rota dos Castros do Alto Minho 4D - Viagem no Tempo
Visitado a 7 de junho de 2022
Descendo do Castro de S. Caetano e chegando à vila amuralhada de Monção, localiza-se na Porta do Rosal, mesmo no interior da muralha, numa das suas casamatas, a Estação do Tempo dos Castros da Rota dos Castros do Alto Minho 4D – Viagem no Tempo. Este equipamento foi inaugurado em 2021 no âmbito do projeto das rotas da CIM Alto Minho, onde cada conselho seria possuidor de uma das estações temporais (recorda-se, que anteriormente, foi sucintamente apresentado o a estação temporal da Rota da Arte Rupestre e do Megalitismo localizado no concelho de Caminha). Este espaço conceptualizava a ideia de porta de partida para conhecer toda a rota. Aqui o visitante poderia obter brochuras sobre a rota, tal como o seu mapa, vislumbrar alguns painéis informativos sobre a cultura castreja, ver um vídeo explicativo e ainda ver cada um dos seus elementos em 4D através de uma máquina própria para o efeito. Salientar que não existe qualquer espólio exposto neste espaço museológico. Basicamente, fazia-se o mesmo que faz nas outras estações temporais, porém dentro da temática castreja, que era a temática da sua rota, tal como foi percetível aquando da visita realizada a este espaço museológico em 2022. Acontece que à data de visita ao concelho de Monção, este espaço encontrava-se encerrado por tempo indeterminado. De acordo com a Dra. Odete Barra, do município de Monção, o encerramento temporário deveu-se ao risco de colapso dessa parte da muralha onde se encontra integrado. Com a abertura do espaço museológico, foi autorizada a passagem de viaturas automóveis pela Porta do Rosal e as constantes vibrações foram o suficiente para surgir alguma instabilidade no complexo amuralhado, levando ao encerramento do espaço museológico e da própria Porta do Rosal em fevereiro de 2025, por uma questão óbvia de segurança e prevenção. A reabertura depende deste momento do resultado de uma vistoria a essa parte da muralha para respetiva avaliação técnica e estrutural. Em suma, a Estação do Tempo dos Castros da Rota dos Castros do Alto Minho 4D é um espaço merecedor de ser visitado pelos entusiastas do património castrejo, contudo tal visita apenas se deverá realizar após a reabertura da Porta do Rosal e do espaço museológico. Até lá, a rota encontra-se desfalcada em relação às outras rotas do projeto, sendo a única que não possui a sua estação temporal aberta ao público. Salientar ainda que entre maio de 2021 e março de 2025 visitaram a Estação do Tempo – Rota dos Castros Alto Minho 4D cerca de 21 391 pessoas, fazendo uma média de cerca de 5300 visitantes por ano.
Museu Monção & Memórias
Visitado a 20 de junho de 2025
Com o encerramento temporário da Estação do Tempo dos Castros da Rota dos Castros do Alto Minho 4D e com a restrição de acesso e a falta de ambição para o Centro Interpretativo do Castro de S. Caetano, Monção havia perdido o acesso importante ao conhecimento da cultura castreja, mas não totalmente. No cento da vila foi fundado em 2021 no Edifício Souto D'El Rei o Museu Monção & Memórias. O objetivo deste espaço museológico é preservar a história da gente e do território monçanense, através de uma coleção que demonstra o passar do tempo. Para esta investigação, deve-se aqui destacar primeiramente a sala onde se encontra uma maquete do concelho de Monção e onde através de painéis interativos se pode obter mais informações sobre os diversos povoados castrejos existentes nesse território, vendo a sua localização através de uma mapeação 3D sobre essa mesmo maquete. Numa outra sala é possível ver algumas informações sobre o período castrejo e romano de Monção. O espólio exposto é muito pouco, destacando-se uma mó manual (com algumas sementes colocadas para uma melhor perceção da sua utilização) e uma prisão de gado, provenientes do Castro de S. Caetano. Apesar da sua reduzida coleção de artefactos, a interatividade e o uso de novas tecnologias atribui um enorme dinamismo ao museu, sendo isso a sua principal característica diferenciadora de outros espaços museológicos. Em suma, o Museu Monção & Memórias é atualmente o melhor espaço para descobrir mais a fundo a cultura castreja, servindo de importante complemente à visita dos seus sítios arqueológicos castrejos. A sua recente inauguração e a presença da cultura castreja em destaque demonstram que existe uma vontade política e da comunidade monçanense em conhecer e dar a conhecer esse passado, parte integrante da sua identidade enquanto povo e território.
Bibliografia
Câmara Municipal de Monção,
s.d. Castro da Senhora da Assunção. [Online]
Available at: https://concelho.moncao.pt/pt/menu/652/castro-da-senhora-da-assuncao.aspx
[Acedido em 29 julho 2025].
Câmara Municipal de
Monção, s.d. Castro da Senhora da Graça. [Online]
Available at: https://concelho.moncao.pt/pt/menu/654/castro-da-senhora-da-graca.aspx
[Acedido em 29 julho 2025].
Câmara Municipal de
Monção, s.d. Castro de São Caetano. [Online]
Available at: https://concelho.moncao.pt/pt/menu/651/castro-de-sao-caetano.aspx
[Acedido em 29 julho 2025].
Câmara Municipal de
Monção, s.d. Centro Interpretativo do Castro de S. Caetano. [Online]
Available at: https://concelho.moncao.pt/pt/menu/520/centro-interpretativo-do-castro-de-s-caetano.aspx
[Acedido em 29 julho 2025].
Direção-Geral do
Património Cultural, 1995. Castro de São Caetano. [Online]
Available at: https://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=3610
[Acedido em 29 julho 2025].