Vila Pouca de Aguiar
Sítios Arqueológicos Castrejos
Povoado de Castelo dos Mouros
Visitado a 25 de junho de 2025
Iniciando a visita e análise pelo Povoado de Castelo dos Mouros, recentemente classificado como Bem de Interesse Municipal, sendo por isso avaliado nesta investigação. Trata-se de um povoado localizado numa zona isolada, sendo acessível apenas por um caminho florestal e de pé posto. O acesso é de fácil transposição, sendo até parte de um trilho pedestre concelhio. À medida que se vai aproximando do local, destacam-se as suas linhas de muralha no topo do monte. À chegada, é também percetível uma entrada de uma das linhas de muralha. Existe também um painel informativo em português e inglês muito detalhado sobre o castro, acompanhado de mapas, fotografias e desenhos reconstrutivos de partes do povoado. Foram ainda notórios alguns trabalhos arqueológicos recentes a ocorrer no espaço. No local não forma visíveis mais estruturas castrejas, seguramente, por causa da vegetação evasiva que cobria o restante sítio arqueológico. Importante também dar a nota de que o local chegou a ser estudado pelo proprietário das Minas de Campo de Jales (localizadas aí perto), tendo sido feitas prospeções geológicas que destruíram um troço de uma das suas muralhas e uma construção castreja, seguramente de uma habitação. Outra curiosidade interessante é o seu nome, associado a uma lenda local que associa o sítio arqueológico aos mouros, algo comum quando se desconhecia o seu verdadeiro passado, como já enunciado em parágrafos anteriores. Em termos promocionais, não existe praticamente nenhuma divulgação municipal sobre o sítio arqueológico, ainda que exista alguma informação e espólio presente no seu Museu Municipal Padre José Rafael Rodrigues. Contudo, em 2024, em reunião da Câmara Municipal de Vila Pouca de Aguiar, o povoado fortificado foi classificado como Bem de Interesse Municipal, uma vez que ainda não possuía qualquer classificação de proteção. Em nota de imprensa, a autarquia aguiarense afirma que a esta classificação se deve "[…] à valia histórica do povoado fortificado pré-romano pela sua estreita conexão com a exploração aurífera romana de Tresminas e Jales […]".
Em entrevista, o Dr. Marco Matos, representante do município, confirma isso mesmo, afirmando que o este castro "[…] é, na verdade, o único que contempla acessos e acessibilidade, bem como sinalização e sinalética, a par com estudos arqueológicos recentes e respetiva publicação científica […], concluindo que por vezes são aí organizadas visitas guiadas como complemento das visitas efetuadas ao território de Tresminas e de Jales. Conclui-se que o Povoado de Castelo de Mouros, apesar de já ter alguns passos desenvolvidos pelo município que visam a sua salvaguarda e valorização, necessita ainda de mais atenção nesse sentido. A criação de um verdadeiro polo arqueológico com as Minas Auríferas de Jales, situadas na sua proximidade, seria uma mais valia tanto um património como para o outro, de forma a desenvolver a história e a identidade do planalto de Jales. Assim sendo, o potencial turístico é ainda muito diminuto, não estando para já preparado para ser utilizado como recurso turístico-cultural.
Povoado de Cidadelha
Visitado a 25 de junho de 2025
Por fim, no concelho de Vila Pouca de Aguiar, visitou-se e avaliou-se o Povoado de Cidadelha, selecionado para este trabalho por estar classificado como Imóvel de Interesse Público desde 1990. Este povoado é mais um exemplar de um castro deixado à mercê dos agentes de erosão naturais. Fica localizado no topo de um monte, praticamente junto à autoestrada A24. Aliás a própria autoestrada está dentro da zona de proteção do monumento. O local onde se encontra o sítio arqueológico não possui qualquer ruína à vista, devido à grande quantidade de vegetação evasiva presente no local. O castro também nunca chegou a ser alvo de grandes trabalhos arqueológicos, sendo ainda visível algum espólio cerâmico à superfície do solo. O acesso até ao topo do monte não é de fácil transposição, sendo feito por um caminho florestal. Em termos promocionais, o Povoado de Cidadelha é como se não existisse para a Câmara Municipal de Vila Pouca de Aguiar, não sendo divulgado em nenhum material promocional concelhio, ainda que esteja classificado como Imóvel de Interesse Público. Em suma, o Povoado de Cidadelha é mais um exemplar de como não proteger o património arqueológico. O seu atual estado de degradação e quase esquecimento generalizado acaba por não lhe atribuir qualquer potencial turístico.
Espaços Museológicos
Museu Municipal Padre José Rafael Rodrigues
Localizado no centro da vila de Vila Pouca de Aguiar, o Museu Municipal Padre José Rafael Rodrigues é o principal espaço museológico do concelho aguiarense, tendo sido inaugurado em 2007. O museu procura proporcionar ao visitante uma viagem pela história do concelho, passando ainda pelos seus recursos naturais e principais empresas como a Pedras Salgadas. Para esta investigação o relevante foi analisar a sua coleção arqueológica castreja que é bem reduzida. Existe um painel informativo em português com referência aos principais povoados da Idade do Ferro, com destaque para o Castelo dos Mouros e a Cidadelha, já apresentados anteriormente nesta investigação. O único destaque é a presença de uma réplica de uma estátua depositada no Museu Nacional de Arqueologia (Lisboa) procedente de Monte de Castro que representa um guerreiro galaico. Uma estátua diferente de todas as já referidas devido à sua reduzida dimensão comparativamente às restantes. Nessa estátua, designada como Guerreiro de Capeludos, destaca-se o seu chapéu cónico que a correlaciona com o mundo da Europa Celta, de acordo com a informação dada no museu pelo Dr. Armando Coelho da Silva. Fora isso, o museu em termos de arqueologia castreja não tem muito mais a apresentar, a não ser umas mós manuais. Em suma, o Museu Municipal Padre José Rafael Rodrigues, ainda que não possua uma grande coleção que permita conhecer mais pormenorizadamente o mundo castrejo, é o melhor lugar de todo o concelho para o fazer, mesmo comparando com os sítios arqueológicos em si. Tal como afirmado anteriormente, o foco atualmente do concelho é no Complexo Mineiro Romano de Tresminas e não no passado castrejo aguiarense.
Bibliografia
Câmara Municipal de
Vila Pouca de Aguiar, 2024. Castelo dos Mouros como Bem de Interesse
Municipal. [Online]
Available at: https://cm-vpaguiar.pt/castelo-dos-mouros-como-bem-de-interesse-municipal/
[Acedido em 6 agosto 2025].
Direção-Geral do Património
Cultural, 1996. Povoado de Castelo dos Mouros. [Online]
Available at: https://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=6016
[Acedido em 6 agosto 2025].
Direção-Geral do
Património Cultural, 1994. Povoado de Cidadelha / Recinto fortificado de
Cidadelha. [Online]
Available at: https://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=5938
[Acedido em 6 agosto 2025].
Terras de Aguiar -
Parada do Corgo, 2013. Covas e Cidadelha de Aguiar. [Online]
Available at: https://trasosmontesminhaterra.blogs.sapo.pt/2646.html
[Acedido em 6 agosto 2025].