Matosinhos


Sítios Arqueológicos Castrejos

Castro do Monte do Castelo de Guifões

Visitado a 7 de junho de 2025

Apresenta-se de seguida o concelho de Matosinhos, aqui representado apenas por um povoado castrejo: o Castro do Monte do Castelo de Guifões, selecionado para este estudo por ser classificado como Imóvel de Interesse Público desde 1971. Este castro pela sua localização a baixa altitude e proximidade a planícies férteis do rio Leça, acredita-se que terá sido um exemplar de um castro agrícola. Além disso, a sua proximidade à foz desse mesmo rio e o elevado número de ânforas aí descobertas levam os arqueólogos a defender que também terá disso um importante interposto comercial. Terá sido romanizado e abandonado posteriormente no século V, tendo mais tarde sido construído na sua acrópole um castelo medieval de pequenas dimensões, hoje desaparecido. Os acessos ao local são bastante fáceis, uma vez que o sítio arqueológico se encontra integrado no interior da cidade de Matosinhos praticamente, possuindo até algumas habitações residenciais e um clube de tiro nas suas imediações. Enquanto que na visita efetuada em 2022 não foi possível vislumbrar nenhum vestígio do povoado devido à elevada quantidade de vegetação evasiva no local, que até impossibilitava o acesso às ruínas em si, na visita efetuada em 2025 foram visíveis várias ruínas do povoado, umas ao longo da encosta e outras numa planície. Nesta última parte denotava-se que estavam a ter trabalhos arqueológicos ainda a ocorrer no local. Aliás, todo o castro tem tido vários trabalhos arqueológicos no local ao longo dos últimos anos, tal como é visível em vários anúncios efetuados pelo município de Matosinhos e em reportagens televisivas da SIC. Esses trabalhos arqueológicos têm vindo a ser desenvolvidos através de uma parceira da Câmara Municipal de Matosinhos com a Faculdade de Letras da Universidade do Porto, desde 2016. Apesar disso, o castro não possui qualquer trabalho de valorização, como painéis informativos nem nenhuma barreira que impeça curiosos de intervir e danificar as ruínas e as escavações arqueológicas a ocorrer. Algo que pode servir como justificação é a recente compra dos terrenos onde se insere pelo município em finais de 2024, que de acordo com o Dr. José Varela, representante do município matosinhense, não possibilitou ainda "[…] proceder ao restauro e musealização das estruturas arqueológicas […]. 

 A Câmara Municipal de Matosinhos apresenta o Castro do Monte do Castelo de Guifões como um "[…] ponto fulcral para a história de Matosinhos e da região da Área Metropolitana do Porto […]" daí os investimentos que aí têm sido efetuados. No próprio Museu da Memória de Matosinhos, o castro possui uma pequena sala a ele dedicada, onde se pode o principal espólio aí descoberto. Além disso o município tem promovido investigações e publicações sobre essa zona arqueológica, porém não existe nenhuma notícia sobre a elaboração de qualquer projeto que busque então a sua valorização turística. O único projeto existente, anunciado em 2024, é a da continuação de um corredor verde pedonal entre Matosinhos e Leça da Palmeira, designado de "Corredor Verde do Leça", cuja segunda fase passaria nas imediações do castro, sem nenhum investimento orientado para a sua requalificação. Contudo, em entrevista, o Dr. José Varela, representante da Câmara Municipal de Matosinhos, afirma que o projeto na sua terceira fase incidirá no sítio arqueológico propriamente dito. O local já foi alvo de alguns eventos de temática castreja e romana como o Reviver o Castro de Guifões, cuja última edição foi efetuada em 2019, no recinto do Campo de Tiro de Guifões, construído na acrópole do povoado castrejo. 

O Castro do Monte do Castelo de Guifões sofreu de um problema não tão comum em outros povoados da região noroeste, já que ao contrário da grande maioria, o castro não está localizado numa zona periférica, afastada de povoações. Este encontra-se no meio da cidade, tendo sofrido muito com o crescimento e desenvolvimento urbano da cidade de Matosinhos e da cidade da Senhora da Hora. Algumas notícias em 2018, o vereador da cultura da altura, o Dr. Fernando Rocha, relatou a destruição de parte do povoado por maquinaria pesada para o abate de árvores efetuado por privados, o que demonstra que a pressão urbana é de facto um risco elevado para o sítio arqueológico. Em termos promocionais, o Castro do Monte do Castelo de Guifões é promovido um importante recurso para história de Matosinhos e da própria Área Metropolitana do Porto, apresentado como um dos 13 principais recursos patrimoniais de todo o concelho no website oficial do concelho. São também realizadas visitas orientadas ao sítio dentro de pogramas educativos municipais. O papel do Museu da Memória de Matosinhos, em termos promocionais, também deve ser destacado, sendo o principal meio de promoção e divulgação do castro, quer através da exposição permanente a ele dedicada quer através de exposições temporários e visitas guiadas. Destaca-se também a sua participação, desde 2025, no projeto da CCDR-Norte da Rota Castros a Norte. 

Conclui-se então que este castro possui todos os meios necessários para prosseguir a sua requalificação e valorização turística, como bons acessos, trabalhos arqueológicos e vontade política, estando apenas a faltar ainda o clique para qua tal aconteça. A partir do momento que se inicia esse projeto, o Castro do Monte do Castelo de Guifões poderá se converter facilmente no principal sítio arqueológico do Grande Porto, graças à sua proximidade a essa mesma cidade, à sua proximidade à linha de metropolitano portuense e à existência de projetos de requalificação da zona ribeirinha onde está integrado. O potencial turístico existe, falta apenas dar o primeiro passo nesse sentido.


Espaços Museológicos

Museu da Memória de Matosinhos

Visitado a 7 de junho de 2025

Continuando a investigação para o distrito do Porto, iniciou-se as visitas pelo concelho de Matosinhos, ao seu Museu da Memória, localizado no centro da cidade, no interior do Palacete Visconde de Trevões. Neste museu é visível um encontro entre o presente e o passado matosinhense. O museu dá grande destaque a Emídio Ló Ferreira, primeiro proprietário da casa e também do passado escolar do edifício. Contudo há que salientar também a presença numa sala mais pequena de uma coleção arqueológica, sobretudo com espólio descoberto no Castro do Monte do Castelo de Guifões. 

De todas as peças expostas, o destaque vai para uma pedra com uma suástica gravada do período da Idade do Ferro e uma tégula com orifício de chaminé pertencente já o período de ocupação romana do povoado castrejo matosinhense. A coleção é de pequenas dimensões, sendo maioritariamente formada por fragmentos cerâmicos, sem muita informação detalhada sobre aquilo que aí se encontra exposto. Acredita-se que uma visita a este espaço museológico apesar de interessante, não serve de complemente a uma visita ao próprio castro em si, já que não possui praticamente nenhuma informação expositiva relevante tirando um pouco de espólio aí descoberto. 


Bibliografia

Agência Lusa, 2018. Castro de Guifões em Matosinhos foi parcialmente destruído devido ao abate de árvores. [Online]
Available at: https://expresso.pt/sociedade/2018-09-04-Castro-de-Guifoes-em-Matosinhos-foi-parcialmente-destruido-devido-ao-abate-de-arvores
[Acedido em 31 julho 2025].

Câmara Municipal de Matosinhos, s.d. Castro do Monte Castêlo (Castro de Guifões). [Online]
Available at: https://www.cm-matosinhos.pt/patrimonio-historico/poi/castro-do-monte-castelo-castro-de-guifoes
[Acedido em 31 julho 2025].

Direção-Geral do Património Cultural, 1994. Castro do Monte Castelo de Guifões / Monte Castelo. [Online]
Available at: https://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=4978
[Acedido em 31 julho 2025].

Leça da Palmeira, 2018. Castro de Guifões fica "parcialmente destruído" devido a abate de árvores. [Online]
Available at: https://www.leca-palmeira.com/castro-de-guifoes-fica-parcialmente-destruido-devido-a-abate-de-arvores/
[Acedido em 31 julho 2025].