Ponte de Lima


Sítios Arqueológicos Castrejos

Castro de Santo Estêvão da Facha

Visitado a 31 de maio de 2025

O primeiro castro limiano a apresentar e avaliar é o Castro de Santo Estêvão da Facha, seguramente o melhor povoado castrejo no concelho de Ponte de Lima, quer a nível da sua conservação, quer a nível dos seus acessos, quer a nível da sua valorização turística, tendo sido incluído nesta investigação por ter participado em importantes projetos de valorização castreja, ainda que não esteja sequer classificado ou em vias de classificação. Até o seu espólio é de grande relevância, sendo dos poucos sítios arqueológicos em Portugal onde foi descoberta cerâmica ática dos finais do século IV a.C., comprovando a existência de negociações com mercadores gregos na região já nessa época. O povoado implementado num pequeno monte, no centro da aldeia da Facha, estando praticamente rodeado de edifícios residenciais e campos agrícolas, o que poderá der danificado o sítio arqueológico ao longo do tempo. Junta-se a isso também a existência de uma capela na sua acrópole com orago a Nossa Senhora da Rocha, setecentista, para qual foi construído um pequeno escadório de acesso e alguns edifícios de apoio. O castro devido a todas esta construção no seu entorno acaba por ter uma dimensão bem reduzida, contudo são visíveis várias estruturas que correspondem a habitações de planta circular. Uma característica muito interessante do povoado é a sua construção em socalcos, ainda percetível, sendo um exemplar único nesse género construtivo. Mesmo assim, o Castro de Santo Estêvão da Facha sofreu uma regressão em comparação à visita realizada em 2022. Em 2022, a limpeza e manutenção do espaço era bem visível, mas em 20255 o castro estava repleto de vegetação evasiva e lixo. Logo à entrada, junto ao escadório, encontra-se um painel informativo em português sobre a histórica do castro, mas já degradado e tapado com alguma vegetação. Além disso, o próprio parque de merendas que se encontra ao lado do castro também se encontra descuidado. A visitação ao local não é fácil, já que é necessário subir pela encosta e pelos socalcos para vislumbrar de perto as ruínas do povoado, o que acaba por fazer com que os visitantes tenham que subir às estruturas castrejas, colocando-as em risco de destruição. 

O castro, contudo, é promovido como um recurso de relevância turística para o concelho de Ponte de Lima, ainda que não possua nenhuma classificação de proteção. É o único povoado castrejo limiano pertencente à Rota dos Castros da CIM Alto Minho, sendo também o único no concelho a pertencer ao projeto CASTRENOR. Acresce ainda uma distinção interessante e singular que possui: o Castro de Santo Estêvão juntamente com a Capela de Nossa Senhora da Rocha integra a lista de jardins históricos da Associação Portuguesa de Jardins Históricos, sendo o único povoado castrejo com essa característica invulgar. Para jardim histórico necessitava de ser melhor mantido e limpo. Em termos promocionais, o concelho de Ponte de Lima promove-o como um dos seus principais recursos patrimoniais turísticos a conhecer, tendo até uma página própria no seu website turístico Visite Ponte de Lima. Num conjunto de questões enviadas à Câmara Municipal de Ponte de Lima, o Dr. Carlos Pereira, chefe da Divisão de Planeamento e Ordenamento do Território, destacava essa mesma entrada específica ao Castro de Santo Estêvão da Facha no website oficial turístico de Ponte de Lima, sendo o único com uma entrada específica. Os restantes surgem brevemente em breves informações retrativamente a entradas específicas de percursos pedestres, miradouros e montes. Entende-se, portanto, que este castro limiano é de facto possuidor de um potencial turístico interessante, graças a caraterísticas singulares que possui como ser classificado com jardim histórico e pela sua construção em socalcos. Nota-se que é o único que tem sido alvo de trabalhos de valorização para usufruição turístico por parte da autarquia local, contudo urge uma modernização e melhoria desses projetos de forma a capacitar ainda mais o sítio arqueológico. O trabalho promocional que tem sido desenvolvido pelo concelho limiano tem alavancado a imagem do castro, mas ainda é muito reduzido. 


Povoado do Monte do Castro

Visitado a 31 de maio de 2025

Continuando por terras limianas, segue-se o Povoado do Monte do Crasto, selecionado por estar classificado como Imóvel de Interesse Público desde 1946. Localizado numa pequena bouça, junto ao rio Estorãos, o povoado é de reduzidas dimensões, sendo que a sua reduzida altitude e proximidade a terrenos planos férteis leva a crer que se tenha tratado de um pequeno castro agrícola. No local não são visíveis quaisquer ruínas de estruturas castrejas, contudo a área de sensibilidade arqueológica está demarcada com um conjunto de varas pintadas a vermelho. O acesso ao local é de muitas más condições, estando coberto de uma elevada quantidade de vegetação evasiva, chegando a ser praticamente intransponível em determinados troços. Para chegar à zona arqueológica foi necessário trespassar por propriedade privada, algo que seria desnecessário se os acessos estivessem limpos e mantidos. No local são visíveis alguns fragmentos de cerâmica no solo. Além disso, não existe nenhum painel informativo que indique a existência daquele sítio arqueológico aos poucos que aí passam. Algo que surpreendeu pela positiva é o facto de que o local de sensibilidade arqueológica se aparentava ligeiramente limpo em comparação a todo o seu entorno, se bem que existem ainda alguns eucaliptos e pinheiros nessa mesma zona. A Câmara Municipal de Ponte de Lima e a junta de freguesia local não fazem nenhuma referência a este bem classificado como Imóvel de Interesse Público. É como praticamente não existisse. Conclui-se que o Povoado do Monte do Crasto é mais um exemplar de um castro vedado ao abandono, escavado no século XX para não ser totalmente destruído, mas que nunca chegou a ter um projeto que o incorporasse como um importante bem patrimonial e cultural quer da freguesia quer do concelho. Por não possuir vestígios visíveis e pela intransponibilidade dos seus acessos, o povoado castrejo não possui de momento valor suficientes que o potencie enquanto recurso turístico, em nenhuma dimensão (nem internacional nem local). 


Povoado Fortificado do Alto das Valadas

Visitado a 31 de maio de 2025

Em situação muito semelhante ao povoado anteriormente apresentado está o Povoado Fortificado do Alto das Valadas, elegido por ser Imóvel de Interesse Público desde 1984. A sua localização próxima a outros dois castros que serão seguidamente apresentados poderia potenciar todo o monte onde se encontra como um campo arqueológico museológico. Contudo, essa não é a realidade, nem os planos para já delineados pelos decisores limianos. O acesso ao sítio arqueológico é feito por enorme estradão florestal, sendo que à chegada não se deteta nenhum aviso indicador de que ali se encontra um sítio arqueológico de referência. Além disso, a vegetação evasiva é de tal ordem que é impossível vislumbrar quaisquer vestígios do que quer se seja, ainda que a sua ficha de inventário do SIPA refira a existência de ruínas de linhas de muralha e de habitações de planta circular. Contudo são visíveis alguns fragmentos de cerâmica no solo. Quanto à sua promoção, ela é inexistente. A Câmara Municipal de Ponte de Lima não refere a existência do sítio arqueológico em nenhuma parte. Já a junta de freguesia local apenas o refere numa breve resenha histórica da autarquia. Em jeito de conclusão, o Povoado Fortificado do Alto das Valadas, também apelidado de Castro do Alto das Valadas, apesar da sua impressionante dimensão e paisagem, por nuca ter sido alvo de campanhas arqueológicas sistemáticas e desenvolvimento de projetos de recuperação, conservação e valorização turística acaba por não possui qualquer potencial como recurso turístico de momento. 


Povoado Fortificado do Cresto

Visitado a 31 de maio de 2025

No mesmo monte, mas numa cota mais baixa, na vertente sul, encontra-se outro castro: o Povoado Fortificado do Cresto, classificado desde 1990, como Imóvel de Interesse Público. À semelhança do seu vizinho analisado no parágrafo anterior, este sítio arqueológico encontra-se vedado ao abandono, à mercê dos agentes de erosão natural, em elevado risco de destruição. Certo que os acessos, também feitos por estradões florestais e caminhos de pé posto não são fáceis e o próprio castro não possui qualquer vestígio visível, a não ser um conjunto de pedras soltas aí encontradas. A enorme quantidade de vegetação evasiva é outro fator a ter em conta. A existência de um castro aí só quase se consegue comprovar pela existência de um topónimo nas proximidades, no arruamento designado de Rua do Castro do Cresto. Poucas informações existem sobre este povoado castrejo, já que ele foi pouco remexido por trabalhos arqueológicos. Assim sendo, tal como se pode calcular, a sua promoção é nula, já que o recurso não se encontra pronto para ser usufruído nem pelos visitantes nem pela comunidade local. Em suma, o Povoado Fortificado do Cresto é mais um exemplar castrejo onde urge a realização de campanhas arqueológicas sistemáticas e a criação de um projeto de conservação e valorização para que lhe possa ser atribuído um valor turístico, que até ao momento ainda não possui.  


Povoado Fortificado de Trás de Cidades

Visitado a 31 de maio de 2025

Por fim, ainda no mesmo monte, mas no seu topo, localiza-se o seu principal povoado denominado de Povoado Fortificado de Trás de Cidades, também conhecido somente pelo nome de Castro de Trás de Cidades, tendo integrado esta investigação por estar classificado como Imóvel de Interesse Público desde 1984. Tal comos demais castros existentes neste monte, o mesmo se encontra abandonado, em total degradação e esquecimento, coberto com uma grande quantidade de vegetação evasiva, não sendo possíveis ver quaisquer ruínas castrejas. Os acessos são idênticos aos dois castros anteriores e não existe também nenhuma sinalética que identifique o local. Ao contrário dos demais possui uma lenda associada a uma moura encantada. À semelhança dos outros castros presentes no seu monte, a sua promoção é existente por parte do município de Ponte de Lima e da junta de freguesia local. Trata-se, portanto, de mais um exemplar de povoado castrejo que devido aos reduzidos trabalhos arqueológicos que teve e à reduzida divulgação da sua existência, tem vindo a cair no esquecimento daqueles que aí habitam, fazendo que não seja desenvolvido o seu potencial como recurso arqueológico turístico. O facto de não possuir ruínas escavadas visíveis agrava ainda mais esse facto.


Bibliografia

Almeida, C., 1981. Arquivo de Ponte de Lima. Escavações Arqueológicas em Santo Estevão da Facha, p. 90.

Associação Portuguesa dos Jardins Históricos, 2018. Capela de Nossa Senhora da Rocha e Castro de Santo Estêvão da Facha. [Online]
Available at: https://www.jardinshistoricos.pt/ad/273
[Acedido em 10 agosto 2025].

Direção-Geral do Património Cultural, 1992. Povoado do Monte do Crasto / Ruínas existentes na Bouça do Monte do Crasto. [Online]
Available at: https://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=420
[Acedido em 10 agosto 2025].

Direção-Geral do Património Cultural, 1998. Povoado fortificado do Alto das Valadas / Castro do Alto das Valadas. [Online]
Available at: https://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=3594
[Acedido em 10 agosto 2025].

Direção-Geral do Património Cultural, 1992. Povoado fortificado do Cresto / Castro do Cresto. [Online]
Available at: https://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=3525
[Acedido em 10 agosto 2025].

Direção-Geral do Património Cultural, 1992. Povoado fortificado de Trás de Cidades / Castro de Trás de Cidades. [Online]
Available at: https://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=3524
[Acedido em 10 agosto 2025].

Junta de Freguesia de Facha, s.d. História. [Online]
Available at: https://www.jf-facha.pt/freguesia/historia
[Acedido em 10 agosto 2025].

Lima, C., 2011. Turismo Cultural: À Descoberta do Castro de Sto. Estevão da Facha: um Percurso Pedestre no Caminho Português de Santiago. Braga: Universidade do Minho.

Visite Ponte de Lima, s.d. Castro de Santo Estêvão da Facha. [Online]
Available at: https://www.visitepontedelima.pt/pt/turismo/castro-de-santo-estevao-da-facha/
[Acedido em 10 agosto 2025].