Caminha
Sítios Arqueológicos Castrejos
Castro do Coto da Pena
Visitado a 24 de julho de 2025
Mais norte, junto à foz do rio Minho, no concelho de Caminha, localiza-se o Castro do Coto da Pena, selecionado por ser Imóvel de Interesse Público, desde 1986. Trata-se de um povoado de pequenas dimensões, localizado a reduzida distância do centro histórico medieval de Caminha, bem como a reduzida altitude, o permite classificar como um exemplar de castro agrícola. Ainda assim, o castro encontra-se abandonado. À chegada ao local, consegue-se entender pelo meio da vegetação aquilo que seria o caminho efetuado pelos arqueológos aquando da sua escavação. Como auxílio, existem algumas fitas atadas em ramos de árvores para delinear esse trajeto. Apesar da sua reduzida altitude, o caminho não é de fácil transposição, já que é necessário subir uma encosta de declive acentuado, com algumas árvores derrubadas. No topo, cobertas com uma elevada quantidade de vegetação evasiva e até árvores e lixo, encontram-se as suas ruínas, que seriam de algumas habitações de planta circular, já muito degradadas e, até, parcialmente destruídas. A elevada degradação do sítio arqueológico retira de momento qualquer potencial turístico que possa algum dia vir a ter. Além disso, encontra-se em meio urbano, sendo que a sua colina está rodeada de edifícios residenciais, que numa terraplanagem para sua construção nos anos 70 do século XX, levaram à destruição em parte do sítio arqueológico, tendo tal acontecimento alertado para a necessidade de proteger o castro de possíveis futuras destruições. Acredita-se ainda que o local foi ocupado até à Idade Média, tendo sido construído um castelo na sua acrópole, hoje desaparecido.
É até constrangedor olhar das ruínas destroçadas do Castro do Coto da Pena para o outro lado do rio, onde se encontra no alto daquele monte cónico a que chamam de Monte de Santa Tecla, o fantástico Castro de Santa Tegra (A Guarda, Espanha), que se encontra valorizado turisticamente e é promovido como um dos principais recursos turísticos da Galiza. Fala-se aqui do que seriam os dois guardiões da foz do Rio Minho. O concelho de Caminha apenas faz uma breve referência ao Castro do Coto da Pena na abordagem à sua história nos seus canais digitais oficiais. Não existe de momento qualquer plano da Câmara Municipal de Caminha em revitalizar o sítio arqueológico em concreto e devolver-lhe a sua importância passada, contudo em entrevista, o Dr. Sérgio Cadilha, da Câmara Municipal de Caminha, afirma que o município têm prevista uma ação de limpeza futura deste sítio arqueológico de forma a torna-lo mais acessível. Além disso, acrescentou ainda a projeção de uma rede museológica do património arqueológico caminhense no futuro com o objetivo de "[…] por em evidência esse património em rotas culturais que os nossos visitantes poderão efetuar […]", que irá também envolver a Cividade de Âncora, tendo essa um maior destaque, ainda que seja partilhada com Viana do Castelo. Devido a isso mesmo e à sua elevada degradação, tal como já foi referido, o castro não possui qualquer potencialidade turística de momento, tal como foi possível aferir na visita a ele efetuada em 2022, não sendo promovida nem aconselhada a visita ao castro por parte do município caminhense.
Espaços Museológicos
Centro de Interpretação Museológica do Vale do Âncora
Visitado a 24 de julho de 2025
Em Vila Praia de Âncora, no interior do seu centro social, estava localizado o Centro de Interpretação Museológica do Vale do Âncora, local esse onde se podia obter mais informações históricas sobre o passado arqueológico de alguns lugares como da Cividade de Âncora. Porém, esse espaço museológico encerrou subitamente e após vários contactos telefónicos efetuados para o centro social, estes também não sabem o porquê, mas que as peças ainda se encontram lá depositadas. Os próprios técnicos e arqueólogos do concelho vizinho de Viana do Castelo, com quem partilham o sítio arqueológico da Cividade de Âncora, mostraram-se surpresos com essa notícia após contacto telefónico e preocupados com o futuro do seu acervo arqueológico. Em suma, este local já não pode ser visitado e o futuro do seu espólio é incerto, perdendo assim Vila Praia de Âncora o seu único espaço museológico do género, perdendo os caminhenses, os visitantes e todo o mundo da cultura castreja em geral.
Museu Municipal de Caminha
Visitado a 24 de julho de 2025
No centro da vila de Caminha, encontra-se o Museu Municipal de Caminha. Este espaço museológico possui ainda uma forte dedicação à arte rupestre, servindo de porta de entrada à Rota da Arte Rupestre e do Megalitismo da CIM Alto Minho, com várias maquetes em escala real de alguns dos principais vestígios da arte rupestre na região. Mas como o tema desta investigação é o património castrejo foi necessário focar na sua coleção arqueológica dedicada a esta temática. Do Castro do Coto da Pena praticamente nenhum vestígio e o que existe da Cividade de Âncora é muito reduzido. Destaque para alguma pedras decoradas com tríplices castrejas, mas também a uma grande coleção de fragmentos cerâmicos. Existe ainda alguns vestígios de sementes esturricadas que poderiam ter sido utilizadas na alimentação castreja como favas, centeio e trigo. Salienta-se ainda a sua exposição sobre a alimentação de moluscos marinhos na antiguidade, com algumas das cochas descobertas nestes povoados castrejos como lapas e búzios. O que demonstra a prática da mariscagem já nessa época. Existe ainda uma maquete da Cividade de Âncora e uma réplica do lintel de porta decorado, presente no Museu Arqueológico da Sociedade Martins Sarmento, descoberto no século XIX pelo próprio Francisco Martins Sarmento que o levou para Guimarães. Em suma, o Museu Municipal de Caminha, apesar de se dedicar em grande parte à Rota da Arte Rupestre e do Megalitismo da CIM Alto Minho, é um ponto de passagem interessante para conhecer mais sobre o passado castrejo de Caminha, com particular destaque para Cividade de Âncora, sendo também no momento o único espaço museológico caminhense onde é possível saber mais sobre a cultura castreja, sobretudo após o misterioso encerramento do Centro de Interpretação Museológica do Vale do Âncora.
Bibliografia
Direção-Geral do
Património Cultural, 1992. Povoado do Alto do Couto da Pena / Estação
Arqueológica do Alto do Couto da Pena. [Online]
Available at: https://www.monumentos.gov.pt/site/app_pagesuser/sipa.aspx?id=3518
[Acedido em 20 agosto 2025].