Chaves


Sítios Arqueológicos Castrejos

Castro de Loivos

Visitado a 10 de junho de 2025

Primeiramente, avaliou-se o Castro de Loivos, localizado muito perto de uma povoação homónima, classificado como Imóvel de Interesse Público desde 1984. Trata-se de um pequeno povoado, sem quaisquer ruínas visíveis. O sítio arqueológico encontra-se junto à estrada, sendo utilizado como sítio de depósito de entulho e lixo, tal como foi possível detetar aquando da visita ao local. Não existe nada que indique a existência desse sítio arqueológico, classificado como Imóvel de Interesse Público no meio daquela vegetação, ainda que de acordo com informação oficial do SIPA existam estruturas de habitações de planta circular na sua plataforma interior. O Castro de Loivos, conforme a bibliografia, possui uma característica muito interessante que é a menor distância entre muralhas detetada no noroeste peninsular, não sendo superior a um metro de distância Destaque ainda para uma quantidade de árvores caídas sobre a zona arqueológica que podem ou poderão danificar o castro em si. 

Em termos promocionais, o município de Chaves não refere nada sobre o povoado, nem em resenhas históricas. Contudo, o próprio município flaviense no seu relatório arqueológico analisa o sítio arqueológico, definindo a sua conservação como má, referindo ainda que "[…] a observação e interpretação das estruturas e características do povoado são atualmente bastante difíceis […]", devido à vegetação evasiva, mas também "[…] os derrubes das estruturas defensivas foram parcialmente desmantelados em alguns pontos para aproveitamento de pedra […]". Conclui-se, portanto, que apesar de o Castro de Loivos possuir uma característica única no mundo castrejo, essa não possui peso suficiente para o tornar um recurso turístico, já que as restantes estruturas se encontram muito degradadas. É mais um exemplar de um local que apesar de estar classificado, não existe de facto a sua proteção no terreno, já que o mesmo tal como afirmado no início é utilizado pelos locais como depósito de lixo. 


Castro de Santiago do Monte

Visitado a 10 de junho de 2025

Segue-se a análise efetuada ao Castro de Santiago do Monte, mais conhecido como Crastas de Santiago, Imóvel de Interesse Público desde 1990, estando por isso neste elenco analisado. À semelhança do Castro de Loivos, este também não possui nenhum vestígio visível, nem habitações, nem linhas de muralha. O seu acesso é feito em parte por um caminho destinado aos terrenos agrícolas aí existentes. O resto do caminho é feito por caminhos de pé posto pelo meio da vegetação evasiva como giesteiras e fetos. É visível somente um conjunto de pedras soltas, que certamente terão pertencido a algumas estruturas defensivas, como linhas de muralha e ao seu sistema defensivo de pedras fincadas. Também não existe no local nenhum painel informativo que comprove a existência das Crastas de Santiago. Em 2015, no sue relatório sobre o património arqueológico, o município de Chaves dava conta que o povoado até se encontrava num estado regular de conservação, existindo alguma vegetação e mato a cobrir algumas partes, sobretudo os seus campos de pedras fincadas. Decorridos 10 anos, a situação vislumbrada foi mais severa estando o povoado em claro risco de salvaguarda. Quanto à sua promoção e valorização, esta é inexistente, pois, tirando o relatório de 2015, a Câmara Municipal de Chaves não refere o povoado castrejo em nenhuma parte mais. Por isso, pode-se concluir que o Castro de Santiago do Monte, devido às suas atuais características e condições de conservação, não apresenta nenhum potencial turístico. Neste povoado, à semelhança de muitos outros castros, urge a criação de um plano que realmente busque salvaguardar esse património e que o divulgue entre a população local, para criar um sentido de pertença protetivo. 


Povoado do Alto do Vamba

Visitado a 10 de junho de 2025

Localizado a meros metros da fronteira com Espanha, na chamada Raia Seca, localiza-se o Povoado do Alto do Vamba, analisado nesta investigação por possui entrada própria no website do SIPA, ainda que não esteja classificado nem em vias de classificação. Acredita-se que este povoado de médias dimensões, terá disso povoado até à Alta Idade Média, devendo o seu nome a uma lenda que diz que ali foi construída uma capela em honra ao "Santo" rei Vamba, considerado um dos últimos grandes reis do período da Península Visigótica. Foi ainda descoberto no local uma ara votiva do período romano, demonstrando que o povoado foi romanizado à semelhança de outros povoados castrejos da região. No local somente são visíveis pequenos troços de muralha, não existindo nenhuma outra estrutura. Contudo, existem diversas pedras soltas, que poderão ter pertencido a alguns edifícios castrejos no passado. Uma placa informativa presente no local, em português, conta que nos anos 60 os habitantes de Cambedo da Raia destruíram três habitações de planta circular para utilizar a sua pedra como entulho na construção de uma nova estrada de acesso à aldeia. Os acessos ao local são feitos por um caminho florestal, de fácil transposição, que passa junto a diversos terrenos com vinhas e cerejais. O caminho é ainda utilizado como trilho pedestre concelhio, justificando isso a presença do painel informativo. Muito próximo ao povoado encontra-se uma fronteira terrestre entre Portugal e Espanha, visível por meio de um marco decorado. Todavia, os acessos ao sítio arqueológico em si desde a estrada não são fáceis, estando cobertos de vegetação evasiva e várias pedras, dificultando a sua transposição. 

Em termos promocionais, o Povoado do Alto do Vamba somente aparece como um ponto de passagem de um trilho pedestre, fora isso não existe nenhum trabalho de promoção e divulgação do castro por parte quer da Câmara Municipal de Chaves, quer por parte da junta de freguesia local. Apesar de ser um povoado com uma história e lenda interessante, ainda não é possuidor de potencial turístico, uma vez que não está preparado para ser usufruído pelo turista. A criação de um núcleo interpretativo em Cambedo da Raia, sobre a história do conturbada da localidade, incorporando quer a história do contrabando, quer a história negra que viveu no período da Guerra Civil Espanhola, iniciando tudo com o Povoado do Alto do Vamba seria uma mais-valia não só para esse património castrejo, mas para toda a localidade em si. 


Povoado Fortificado da Curalha

Visitado a 10 de junho de 2025

Por fim, no concelho de Chaves, visitou-se aquele promovido como o principal castro flaviense: o Povoado Fortificado da Curalha, também designado de Castro da Curalha, que mesmo não estando classificado, se integrou aqui por possui uma entrada própria no website do SIPA e por ser promovido como o principal castro flaviense, tal como foi destacado em entrevista pela Dra. Jaquelina Alves, da Câmara Municipal de Chaves. Este povoado foi o único mencionado pelos técnicos de turismo do posto de turismo da cidade de Chaves, aquando a pergunta que castros se pode conhecer. De facto, de todos os apresentados no concelho de Chaves é o único onde se desenvolveu um trabalho que visasse a sua valorização como recurso turístico. Ao chegar ao local encontra-se logo com um enorme painel informativo em português e inglês com uma enorme fotografia do povoado e respetivo mapa. O painel encontra-se desgastado e apresenta falta de manutenção. Junto a esse painel existe outro de menores dimensões, onde existe um código QR para se obter mais informações sobre o Roteiro Turístico da Região do Alto Tâmega da CIM Alto Tâmega e Barroso à qual o castro pertence. A partir daí o caminho faz-se a pé. Ao chegar ao povoado a vegetação vai-se adensando, mas grande parte das estruturas são ainda visíveis. O castro de média dimensão possui diversas habitações de planta circular e duas linhas de muralha visíveis. Contudo, para aceder à acrópole do castro para ver melhor as habitações existem uma pequena escada metálica, já degradada e sem corrimão, que obriga o visitante a ter que subir a uma das linhas de muralha para ver o que há dentro. No sítio arqueológico propriamente dito não existe nenhum painel explicativo e denota-se falta de trabalhos de manutenção e de limpeza de vegetação evasiva. Denotou-se que o local, apesar de já ter sido estruturado para a usufruição turística, começa a ser esquecido pelos decisores políticos. Quanto ao seu espólio, é possível conhecê-lo no Museu da Região Flaviense, no centro da cidade de Chaves. 

Em termos promocionais, o concelho de Chaves apresenta-o como o seu principal assentamento castrejo ("[…] o Castro de Curalha, o mais conservado do concelho de Chaves […]"), estando presente em mapas e outros materiais físicos criados pela divisão de turismo. É também promovido pela Terra Callaeci. Também possui uma página própria no website turístico oficial da eurocidade Chaves-Verín. Apesar da sua relevância, o Castro da Curalha não está classificado nem em vias de classificação, um processo que deveria ser obrigatório para garantir a sua salvaguarda, já que se encontra muito próximo a edifícios residenciais. Outro aspeto interessante e importante a apresentar é a Associação de Desenvolvimento Local da Curalha — Castrum, que tem desenvolvido algumas atividades dinamizadoras no castro. Esta associação local chegou a propor em sede do orçamento participativo flaviense em 2022 a criação de um parque temático do Castro da Curalha. Esse projeto incluía a construção de um aldeamento castrejo com madeira e outros materiais da época, com o intuito de demonstrar algumas das atividades desenvolvidas nesse tempo como "[…] o Oleiro, Ferreiro, Fundição, Cunhagem de Moeda, Arqueiro, Construtor de Armas, entre outros […]". O parque teria como objetivo ser um local de aprendizagem e conhecimento, onde quem o visitasse, quer locais, quer turistas, pudessem conhecer mais sobre a vida e o quotidiano castrejo, como uma aula de história ao vivo se tratasse. Contudo, esse projeto acabou por não vencer o orçamento participativo na época, não tendo sido realizado nada nesse sentido desde então. Para além desse projeto, a Associação de Desenvolvimento Local da Curalha — Castrum também organiza no local um evento de temática castrejo designado Folgança Galaico-Romana, que procura dinamizar o sítio e dar a conhecer o passado castrejo e romano da região, mediante encenações teatrais e outros espetáculos. Apesar de ser um evento de reduzidas dimensões, em comparação a outros no noroeste peninsular, é relevante, tendo ultrapassado os 2 mil visitantes na edição de 2025, segundo a Komunica Magazine. 

Pode-se, portanto, concluir que o Povoado Fortificado da Curalha é o único castro flaviense que até ao momento de redação desta investigação possui potencial turístico. O local já teve um projeto desenvolvido para o valorizar por parte do município de Chaves e já teve outros projetos pensados para o exponenciar ainda mais. Além disso, há um grande envolvimento da comunidade local através da Associação de Desenvolvimento Local da Curalha — Castrum que o procura dinamizar, divulgar e revitalizar. Ainda assim, urge realizar uma nova reabilitação do espaço arqueológico para melhorar a sua interpretação e a prepará-lo para uma melhor visitação. A realização de trabalhos periódicos, não muito espaçados no tempo, de limpeza e manutenção seria um importante meio para o salvaguardar. Resta também iniciar, por parte da Câmara Municipal de Chaves, o processo de classificação de proteção deste castro, sendo isso um importante primeiro passo para a sua conservação e valorização turística. 


Espaços Museológicos

Museu da Região Flaviense

Visitado a 10 de junho de 2025

Por sua vez no concelho de Chaves, junto ao Castelo de Chaves, encontra-se o Museu da Região Flaviense. O museu é constituído por um importante acervo arqueológico quer do seu passado pré-histórico, proto-histórico e romano. Na secção castreja é possível ver o mapa de inventariação das estações arqueológicas castrejas realizado pelo Dr. Armando Coelho. O destaque do espólio exibido vai para duas estátuas-estelas antropomórficas da Idade do Bronze e algumas joias de ouro, como um anel espiralado de ouro e um colar, as poucas que ainda subsistem na região, já que grande parte dos achados auríferos foram levados para o Museu Nacional de Arqueologia (Lisboa) e, de acordo com a informação fornecida pelo próprio museu, para o Museu Britânico (Londres, Reino Unido). O resto do espólio exibido neste museu de entrada gratuita é constituído por fragmentos de cerâmica. Uma vez que o museu se encontra dentro do mesmo edifício onde opera o posto de turismo de Chaves é possível ainda obter mais informações sobre os sítios arqueológicos a visitar, apesar de a única recomendação dada à data de visita do espaço fosse o Castro da Curalha. O Museu da Região Flaviense é um relevante espaço museológico para conhecer mais sobre o passado castrejo de Chaves e da sua região, sendo provavelmente o melhor local para o fazer em todo o território concelhio.


Bibliografia

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Junta de Freguesia de Curalha, s.d. Castro da Curalha. [Online]
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Komunica Magazine, 2025. Chaves | Castro de Curalha revive as suas raízes com milhares de visitantes na 8ª Folgança Galaico-Romana. [Online]
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Komunica Magazine, 2025. Chaves | Curalha volta à Idade do Ferro com a Folgança Galaico-Romana. [Online]
Available at: https://komunicamagazine.com/chaves-curalha-volta-a-idade-do-ferro-com-a-folganca-galaico-romana/?fbclid=IwY2xjawN1vBxleHRuA2FlbQIxMQABHtO342sh8-ysfSDVWk_LvybwDchpWYWu3S4sLZiN92MzIHVo7lnBjW-WgNbg_aem_TQtSBKsbbJfF0PxObulJxg
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Orçamento Participativo de Chaves, 2022. Parque Temático no Castro de Curalha. [Online]
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