Mondim de Basto


Sítios Arqueológicos Castrejos

Castro do Crastoeiro

Visitado a 25 de junho de 2025

Continuando agora para Terras do Basto, mais concretamente para o concelho de Mondim de Basto, encontra-se o Castro do Crastoeiro, selecionado para esta investigação por ser classificado como Sítio de Interesse Público desde 2020. Localizado na encosta poente do famoso Monte da Senhora da Graça. Trata-se de um povoado de médias dimensões, com vários vestígios visíveis como habitações de planta circular, retangular, ovalada, espaços de culto e troços de linhas de muralha. Os acessos até ao local são feitos por uma estrada de acesso ao topo do monte, onde se encontra o icónico Santuário de Nossa Senhora da Graça. Contudo o acesso entre o sítio arqueológico e a principal estrada de acesso é feito por um caminho de terra batida. O sítio arqueológico já foi alvo de uma intervenção que procurou valorizá-lo enquanto recurso turístico. Logo à entrada existe um painel informativo sucinto em português e em inglês e outro painel com um mapa do castro e a localização dos restantes painéis informativos. Contudo os outros painéis apenas possuem a estrutura já não sendo possível ler qualquer informação. Atualmente são apenas quadros brancos. A visitação pelo castro é feita por caminhos de pé posto, sendo visível também uma grande quantidade de vegetação evasiva no local. Apesar de não existir no sítio arqueológico nenhum centro de interpretação ou receção, o Castro de Crastoeiro e respetivo espólio são explicados no Museu Municipal de Mondim de Basto, onde até existe uma réplica do povoado e uma maquete reconstruída de um dos seus núcleos habitacionais. Atualmente, o assentamento encontra-se em vias de classificação. 

Analisando a sua promoção, a Câmara Municipal de Mondim de Basto divulga-o como dos um dos principais recursos turísticos a conhecer no concelho, no seu mapa turístico oficial, dando um especial destaque a um conjunto de gravuras aí existentes, não visíveis à data de visita, devido à quantidade de vegetação evasiva no local. Insere-o também num dos trilhos pedestres concelhios. Deve-se também destacar a presença por toda a vila de Mondim de Basto de sinalética rodoviária indicativa da direção a seguir para o assentamento castrejo. Destaca-se também que o castro em questão já fez parte do importante projeto da Rede de Castros do Noroeste, que acabou por não ter seguimento após a perda de uma candidatura a um fundo comunitário, tal como fora previamente explicitado. Após a análise efetuado ao local, pode-se concluir que o Castro de Crastoeiro, apesar de já ter sofrido um trabalho que visava a sua valorização turística, tal ainda não foi suficiente, uma vez que não existiu nenhum plano que procurasse garantir ao longo do tempo a sua limpeza e manutenção, tal como foi verificado pela degradação dos painéis informativos. Ainda assim, graças à quantidade considerável de vestígios visíveis, à existências rara de espaços cultuais castrejos, à sua proximidade ao centro histórico de Mondim de Basto e à sua localização do Monte da Senhora da Graça – ex-líbris do concelho mondinense – pode-se entender que existe potencial turístico no sítio arqueológico em questão. Porém urge desenvolver um novo projeto de valorização, acompanhado de soluções inovadoras e tecnológicas, que vise de facto salvaguardar o castro e apresenta-lo como um património riquíssimo onde residem as raízes da identidade de Mondim de Basto e da região. Além disso, seria interessante englobar nesse projeto os outros recursos arqueológicos existentes no Monte da Senhora da Graça como a Estação Rupestre de Campelo, criando assim um verdadeiro polo para o turismo arqueológico na região. 


Espaços Museológicos

Museu Municipal de Mondim de Basto

Visitado a 25 de junho de 2025

Por sua vez, no concelho de Mondim de Basto, localiza-se o seu Museu Municipal, um importante espaço museológico que conta a história desse território e das suas principais tradições, festividades e costumes. A sua coleção arqueológica, introduzida logo na sua sala inicial é a principal referência para esta investigação, encontrando-se aí exposto espólio descoberto em escavações do Castro do Crastoeiro. O seu grande destaque vai para a exposição de um forno cerâmico castrejo, peça rara da cultura castreja, que ajudou a entender melhor as forma de produção proto-históricas. Para além disso, a coleção é constituída por vários fragmentos cerâmicos, algumas contas de vidro e ainda mó manuais. No final da exposição encontra-se ainda uma rocha verdadeira coberta de gravuras rupestres retirada do Castro de Castroeiro, de forma a comprovar a sua provável ocupação desde o Calcolítico. Todas as informações patentes neste museu encontram-se unicamente em português. Em termos de dinamização, o museu costuma receber visitas da comunidade escolar local, de forma a promover a história do território mondinense. Após uma visita ao Castro de Crastoeiro, onde as informações presentes são muito reduzidas, torna-se perfeitamente claro que a visita este museu, de entrada gratuita, é um importante complemente, quase que obrigatório, para conhecer melhor esse sítio arqueológico.