Paredes de Coura


Sítios Arqueológicos Castrejos

Castro de São Sebastião

Visitado a 31 de maio de 2025

Localizado a este da sede de concelho, o Castro de S. Sebastião é um povoado de reduzidas dimensões que foi selecionado por estar dentro da Rota dos Castros do Alto Minho, ainda que não possua qualquer classificação de proteção. Na verdade, apenas duas habitações de planta circular são visíveis na encosta desse pequeno monte. O acesso até ao topo é feito por estrada, já que aí se localiza uma pequena capela dedicada a S. Sebastião, bem como algumas estruturas de apoio como parques de merendas e casas de banho. À chegada é possível ver um painel informativo que explica a história do Castro de S. Sebastião em português, espanhol e inglês, acompanhado de fotografias do sítio arqueológico. Porém, desde o painel até às ruínas propriamente ditas não há qualquer indicação para onde o visitante se deverá dirigir para as encontrar. Graças a um conjunto de imagens de satélite desatualizadas do Google Maps, foi possível perceber aonde se encontravam as ruínas. Ao chegar junto ao local, a vegetação evasiva era tanta que mal se podia ver qualquer vestígio. Por isso, foi o único local onde o investigador com a ajuda dos seus pés e de uma chave procedeu ao corte o conjunto de fetos que se encontrava sobre as estruturas castrejas. Obviamente que as mesmas apresentavam já sinais de uma elevada degradação. 

Curiosamente, apesar do seu atual estado de conservação, limpeza e manutenção, o Castro de S. Sebastião, também designado muitas vezes de Castro de Cristelo, é um dos membros da Rota dos Castros da CIM Alto Minho, possuindo até uma página própria no website oficial da mesma. Este castro acabou apenas por ser incorporado numa segunda fase do projeto, sendo um dos utilizados para substituir aqueles que haviam sido retirados como o Povoado a Sudeste do Castelo de Castro Laboreiro (Melgaço) ou o Castro de Ázere (Arcos de Valdevez). O próprio município de Paredes de Coura também o divulga no seu website original, ainda que não possua nenhuma fotografia do sítio arqueológica e que a sua descrição não passe sequer das 80 palavras. Não foi percetível a existência ou desenvolvimento de qualquer projeto que vise a recuperação do Castro de S. Sebastião para a proceder à sua salvaguarda e torna-lo num recurso turístico relevante para o concelho. Por esse mesmo motivo, o castro não possui potencial turístico suficiente para atrair qualquer visitante, a não ser aficionados ou pessoas que estejam a seguir a Rota dos Castros da CIM Alto Minho. 


Castro do Couto de Ouro

Visitado a 31 de maio de 2025

Quase na fronteira com o concelho de Ponte de Lima, na freguesia de Romarigães, localiza-se o Castro do Couto de Ouro, também apelidado de Castro de Romarigães, classificado desde 1992 como Imóvel de Interesse Público. Os acessos até ao sopé da colina onde se encontra foi bastante fácil, contudo da base ao topo, o acesso é feito por caminhos de pé posto, cobertos com uma elevada quantidade de vegetação evasiva. Quando se chega ao seu topo, depara-se com um sítio arqueológico abandonado, não sendo visíveis praticamente quaisquer estruturas castrejas, devido a toda a vegetação aí existente. É até difícil comparar a visão que se tem do sítio arqueológico atualmente, com as fotografias tiradas há alguns anos aquando as sua escavação. Apesar do seu mau estado de conservação, o sítio arqueológico encontra-se surpreendentemente listado na Rota dos Castros da CIM Alto Minho, tendo sido adicionado após a restruturação do elenco original. Infelizmente, o castro não possui qualquer promoção por parte da própria Câmara Municipal de Paredes de Coura e não existe sequer nenhuma indicação no local sobre a sua existência. 

Em suma, o Castro do Couto de Ouro não é um bom exemplo de gestão e preservação patrimonial. Denotou-se um grande entusiasmo na sua escavação inicial, seguido de um abandono e desinteresse generalizado que acaba por colocar em causa o sítio arqueológico em si. Ainda assim, a sua proximidade à famosa Casa Grande de Romarigães, recentemente recuperada, pode ser uma vantagem relevante, levando a um interesse na recuperação do sítio arqueológico. Porém, até ao momento de redação desta investigação, o município de Paredes de Coura não elaborou qualquer plano para reabilitar e revitalizar este assentamento castrejo. Por tal, não se consegue entender porque foi adicionado à rota anteriormente apresentado, quando o sítio arqueológico não está preparado para a atividade turística.  


Cividade do Cossourado

Visitado a 31 de maio de 2025

Continuando em terras de Paredes de Coura, surge a Cividade de Cossourado, o mais aclamado castro courense. Claramente este é o sítio arqueológico castrejo mais distinto dos demais, pois foi aquele que maior atenção e cuidado tem tido por parte dos organismos camarários e da própria comunidade local courense. A sua dimensão é bastante superior à dos restantes castros do concelho, possuindo também diversas estruturas castrejas visíveis, como habitações de planta circular, de planta retangular e de planta ovalada, bem como pátios lajeados, linhas de muralha e uma entrada de muralha bem visível. À semelhança do que é visível na Citânia de Briteiros (Guimarães), existe também uma estrutura que possui como um banco corrido a toda a sua volta, mas de muito menor dimensão do que a de Guimarães. Para além das ruínas, existem ainda duas habitações castrejas reconstruídas com telhados de colmo, bastante bem preservadas. Uma das reconstruções trata-se de uma casa de planta circular e a outra de planta ovalada. O sítio arqueológico apresentou sinais de constante limpeza e manutenção, porém não se repararam a existência de trabalhos arqueológicos a ocorrer. Apesar de possui um número bom de estruturas visíveis, a área escavada poderia ser maior, dando-lhe um aspeto ainda mais monumental, já que a sua área ultrapassa os 10 hectares. Trata-se do mais recente castro português a ser classificado como Monumento Nacional no passado ano de 2021, o que demonstra de facto a grande vontade e investimento municipal neste sítio arqueológico. Ainda assim, ao longo da cividade existe muito pouca informação e a que existe está em painéis ultrapassados e antigos, com a informação já desgastada. Esses mesmos painéis informativos (em português e inglês), tal como foi visível no local, foram colocados no âmbito do FEDER 1998, ou seja, já ali estão há mais de 25 anos. À semelhança dos painéis, a própria sinalética rodoviária também está muito degradada. Os acessos são bons, existindo até um parque de estacionamento logo à entrada da muralha interna, contudo, não existe nenhum tipo de estrutura que impeça um veículo de entrar pela zona arqueológica a dentro, o que acaba por ser um risco para a cividade. 

O seu espólio de grande valor encontra-se depositado no Museu Municipal de Paredes de Coura, onde existe até uma réplica de como seria o povoado no passado. Deve-se também aqui salientar que o sítio arqueológico é palco de um evento anual designado de Solstício, que ocorre mais ou menos na data do solstício de verão, sendo uma festividade de temática castreja organizada pela Associação A Cividade, apoiada pela Câmara Municipal de Paredes de Coura. O evento esse será explicitado mais pormenorizadamente mais adiante. Quanto à promoção do sítio arqueológico castrejo, este é explicitado sucintamente no website oficial do município courense como "[…] imponência topográfica de importante relevo no contexto da cultura castreja da região do Alto Minho […]". Fora disso, a Cividade do Cossourado apenas acaba por ser referenciada anualmente aquando a realização do evento anteriormente apresentado. Além disso, costuma ser utilizado como referência em algumas imagens promocionais do concelho. A sua recente e importante classificação de proteção faz com que se assuma como um dos mais relevantes castros do Alto Minho, estando sempre também na vanguarda dos novos projetos a serem lançados dentro dessa temática. Dentro dessa lógica, a cividade é parte integrante da Rota dos Castros da CIM Alto Minho, desde a sua criação. Pertenceu ainda ao projeto pioneiro CASTRENOR. 

Por fim, pode-se concluir que a Cividade de Cossourado é um sítio arqueológico castrejo com elevado potencial turístico: a sua dimensão, a sua boa conservação, a atenção de quem sido alvo nos últimos tempos e o evento nele organizado anualmente exponenciam o local para a sua usufruição turística. De forma a aprimorar ainda mais, seria necessário proceder a um processo de reabilitação da sua componente museológica e interpretativa, modernizando os painéis informativos existentes (tornando-os mais dinâmicos e visualmente atrativos) bem como da sua sinalética. A colocação de um passadiço de orientação de visita e de barreiras à entrada de veículos à zona arqueológica constituiriam outro passo importante para exponenciar ainda mais a Cividade de Cossourado.


Povoado Fortificado da Giesteira

Visitado a 31 de maio de 2025

De forma a terminar as visitas por terras de Paredes de Coura, foi conhecido e avaliado in loco o Povoado Fortificado da Giesteira, também designado pelos locais de Castro da Giesteira, selecionado para este trabalho por estar integrado na Rota dos Castros do Alto Minho, mesmo que não possua qualquer tipo de classificação de proteção ou que esteja em vias de classificação. Os seus acessos são feitos por caminhos de pé posto, ao longo de uma encosta com elevado declive. São visíveis sinais de um grande incêndio ocorrido em 2024 no local, estando já alguma vegetação a crescer após essa catástrofe ambiental. O local encontra-se repleto de "esqueletos" de antigos arbustos e árvores, muito deles desabados pelo solo. Isso juntamente com o mato que tem vindo a crescer faz com que não sejam visíveis quaisquer estruturas castrejas. Ao longo da encosta e no seu cume encontram-se grande monólitos graníticos, que devido à sua proximidade se acredita que serviriam de abrigos naturais. O local não chegou a ser alvo de campanhas arqueológicas sistemáticas, porém são visíveis diversos fragmentos cerâmicos no solo, alguns do tempo da sua romanização. Ainda assim e apesar de todos estes constrangimentos, este povoado castrejo está incluído na Rota dos Castros da CIM Alto Minho, tendo sido recentemente adicionado como substituto de outros. O próprio texto de apresentação do castro, no website oficial da rota, dá mais destaque à paisagem aí existente do que ao povoado em si. Em termos promocionais, a Câmara Municipal de Paredes de Coura apenas o coloca como uma nota de rodapé de um dos seus trilhos pedestres concelhios, não existindo depois no local sequer qualquer painel informativo. Além disso, o município courense não o promove ou o apresenta sequer em qualquer canal oficial de comunicações na internet. 

Em suma, o Povoado Fortificado da Giesteira é mais um exemplar de sítio arqueológico castrejo com praticamente nenhum potencial turístico, já que nunca chegou a ser alvo de uma campanha arqueológica de relevo, não possuindo sequer uma estrutura visível no local. A sua inserção num trilho pedestre acaba por ter como objetivo realçar mais a sua componente paisagística do que a sua componente histórica. Ainda assim, o local necessita de um projeto urgente de reabilitação, sobretudo da sua envolvente, de forma a evitar catástrofes ambientais que o ponham em causa  


Espaços Museológicos

Museu Regional de Paredes de Coura

Visitado a 31 de maio de 2025

Avançando para o concelho de Paredes de Coura, território no qual foram visitados e avaliados quatro castros, localiza-se o Museu Regional de Paredes de Coura, que abriu as suas portas em 1997. O museu divide-se em três coleções distintas: a primeira dedicada à "Impressão Digital em Terras de Coura" onde se expõe as características e tradições intrínsecas desse território; a segunda dedicada à "Mobilização da Terra" onde o visitante pode ver mais sobre a produção agrícola tradicional, a produção de linho e a evolução do lar courense; e a última dedicada à arqueologia. Esta última é aquela que mais relevo tem para esta investigação. Nessa coleção é possível vislumbrar vários achados que remontam aos mais diversos sítios arqueológicos courenses, desde a Idade do Ferro até à Romanização. A sala é aberta por uma carta arqueológica interativa que mostra os vários assentamentos arqueológicos do concelho. Quanto ao seu espólio da Idade do Ferro, o destaque vai para uma tríplice gravada numa pedra, mas também vários achados de ferro e bronze já correspondente ao período da romanização. A grande quantidade de espólio é oriunda da Cividade do Cossourado, mas também do Castro do Couto do Ouro. Em suma, o Museu Regional de Paredes de Coura é uma paragem obrigatória para conhecer mais sobre o passado castrejo do concelho courense e ver algum do espólio do castro mais recentemente classificado como Monumento Nacional: a Cividade do Cossourado. 


Bibliografia

Blogue do Minho, 2025. Paredes de Coura: Povoado Fortificado da Cividade em Cossourado Celebra Solstício de Verão. [Online]
Available at: https://bloguedominho.blogs.sapo.pt/paredes-de-coura-povoado-fortificado-da-36104567
[Acedido em 4 agosto 2025].

Câmara Municipal de Paredes de Coura, 2024. Povoado Fortificado da Cividade em Cossourado celebra Solstício de Verão. [Online]
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Câmara Municipal de Paredes de Coura, s.d. Povoado fortificado de Cossourado. [Online]
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Comunidade Intermunicipal do Alto Minho, s.d. Povoado Fortificado da Giesteira. [Online]
Available at: https://www.altominho.pt/pt/visitar/o-que-ver/povoado-fortificado-da-giesteira/
[Acedido em 3 agosto 2025].

Comunidade Intermunicipal do Alto Minho, s.d. Povoado Fortificado de Romarigães. [Online]
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Direção-Geral do Património Cultural, 2008. Povoado fortificado de Cossourado / Forte da Cidade. [Online]
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Rádio Vale do Minho, 2015. Paredes de Coura: Povoado Fortificado de Cossourado celebra solstício de verão este sábado. [Online]
Available at: https://www.radiovaledominho.com/paredes-de-coura-povoado-fortificado-de-cossourado-celebra-solsticio-de-verao-este-sabado/
[Acedido em 6 outubro 2025].