Valpaços
Sítios Arqueológicos Castrejos
Castro da Lama de Ouriço
Visitado a 10 de junho de 2025
Primeiramente, em terras valpacenses, visitou-se e entendeu-se o Castro da Lama de Ouriço, classificado como Imóvel de Interesse Público desde 1986. Este povoado de pequenas dimensões encontra-se localizado muito próximo de uma estrada municipal e junto a uma pedreira ainda em funcionamento. O acesso propriamente dito é feito por um caminho florestal e de caminhos de pé posto. À semelhança de outros castros já apresentados, encontra-se vedado ao abandono, sendo ainda possível denotar alguns troços do que seria uma das suas linhas de muralha e vários aglomerados de pedras que poderão ter correspondido a outros estruturas castrejas como habitações de planta circular ou retangular ou ainda a um campo de chevaux-de-frise, de pedras fincadas, muito comum dos castros da região do Alto Douro e Trás-os-Montes. A informação fornecida pela sua ficha de inventariação do SIPA refere a existência de estruturas habitacionais tanto dentro como fora do perímetro das muralhas, contudo à data de visita, o espaço encontrava-se praticamente coberto de vegetação evasiva como fetos e giestas, não sendo percetíveis essas ruínas. O mesmo acontece com um lagar proto-histórico ou romano descoberto no exterior do castro, escavado na rocha, que não foi notado.
O local não possui qualquer informação sobre o castro nem qualquer sinalética rodoviária que leve os visitantes a esse Imóvel de Interesse Público. Por sua vez, a Câmara Municipal de Valpaços enumera-o, surpreendentemente, como um recurso cultural e patrimonial a conhecer na área concelhia, utilizando, contudo, fotografias datadas das primeiras escavações realizadas na segunda metade do século XX. Em entrevista realizada aos técnicos de turismo da Câmara Municipal de Valpaços, através de e-mail, descobriu-se que é possível realizar uma visita guiada ao castro com um dos arqueólogos municipais e que foi apresentado que existe uma vontade do município em valorizar o seu património, em particular o castrejo. Contudo essa valorização está mais voltada para o outro povoado valpacense do que para este. Resta, portanto, concluir que o Castro de Lama de Ouriço de momento não possui qualquer potencial turístico, devido à sua elevada degradação e reduzida quantidade de trabalhos arqueológicos. Seria interessante numa primeira instância, já que este é promovido como recurso turístico-cultural de Valpaços, colocar algum tipo de painel informativo sobre o castro e iniciar trabalhos de limpeza da elevada quantidade de vegetação evasiva presente no local.
Castro de Ribas
Visitado a 10 de junho de 2025
De seguida visitou-se e avaliou-se o designado Castro de Ribas, integrante desta seleção a ser analisada por ser Imóvel de Interesse Público desde 1984. Trata-se de um povoado defendido por duas linhas de muralha, localizado no topo de uma colina sobranceira à aldeia de Ribas. O acesso até ao sítio arqueológico é feito por um caminho florestal localizado junto a um conjunto de edifícios residenciais. O castro já é visível desde a estrada, sobretudo as suas imponentes linhas de muralha, que se destacam do meio da vegetação. Seguindo esse caminho, depara-se imediatamente com a ruína de uma habitação de planta retangular, seguramente do período de ocupação romana. De seguida, vê-se uma das suas linhas de muralha, em bom estado de conservação, da qual ainda é percetíveis uma torre defensiva e uma entrada da muralha. De acordo com informação oficial do SIPA, essa primeira linha de muralha chega a ter num dos seus cotovelos uma espessura de aproximadamente 13 metros. Atravessando a muralha, não existe no seu interior qualquer vestígio visível, tal como estruturas habitacionais castrejas, ainda que haja relatos arqueológicos da existência de dois silhares ornamentados. O seu vestígio mais impressionante é de facto o torreão da sua linha de muralha, cuja base se encontra muito bem conservada. O Castro de Ribas é seguramente o sítio arqueológico castrejo mais bem conservado de Valpaços, ainda que não tenha sido aproveitado como recurso turístico até ao momento. De acordo com informação dos técnicos de turismo valpacenses, em entrevista, a Câmara Municipal de Valpaços pretende no futuro criar um centro interpretativo junto a esse assentamento castrejo, que o demonstra a importância do castro para o concelho.
Relativamente à sua promoção, Valpaços também o enumera como um recurso turístico-cultural a conhecer no concelho no seu website oficial. O Castro de Ribas possui também uma entrada individual na página oficial do turismo do Porto e Norte de Portugal, ainda que sem qualquer fotografia do mesmo. Deve-se também aqui destacar que este castro chegou a fazer parte do relevante projeto internacional CASTRENOR, no início dos anos 2000. Em suma, este povoado castrejo, apesar de ser aquele que possui o maior potencial turístico do concelho de Valpaços, ainda não possui potencial suficiente para ser considerado como um recurso relevante para o turismo castrejo do noroeste português, ainda que possua uma linha de muralha de facto impressionante. Contudo, o desenvolvimento de um projeto de musealização e valorização turística pretendido pelos decisores políticos de Valpaços demonstra a vontade da comunidade local de preparar o Castro de Ribas para se tornar num sítio arqueológico de excelência para a usufruição turística.
Castro de Vila Nova
Visitado a 10 de junho de 2025
Mais próximo ao concelho de Chaves, na parte ocidental de Valpaços, encontra-se o Castro de Vila Nova, classificado como Imóvel de Interesse Público, desde 1986, estando por isso a ser avaliado nesta investigação. Trata-se de um povoado de pequenas dimensões, defendido por duas linhas de muralha, tendo sido abandonado no período da romanização e repovoado levemente na Idade Média, conforme alguns achados aí feitos por trabalhos arqueológicos. O acesso é feito por um caminho agrícola de acesso a campos de cultivo aí existentes, sendo seguido de um caminho de pé posto. Desde longe é possível ver realçados no topo alguns troços de uma das suas linhas de muralha, contudo devido à elevada quantidade de vegetação evasiva não se consegue detetar nenhuma outra estrutura visível, ainda que haja informações no SIPA sobre a existência de habitações de planta circular e retangular na sua acrópole. Além disso, as próprias linhas de muralha são mais visíveis à distância do que na proximidade, já que existe muita vegetação que impede a aproximação às mesmas. No local é ainda visível espólio cerâmico no solo. Ainda que não tenha sido encontrado qualquer painel informativo sobre o castro, os técnicos de turismo municipais afirmaram, em resposta às perguntas enviadas por e-mail, que existe um no local uma placa, já que o sítio arqueológico é um ponto de passagem do Caminho Português de Santiago do Este. Isso demonstra levemente, que existe vontade por parte do município em dar a conhecer esse sue património. Aliás, a Câmara Municipal de Valpaços também promove o povoado no seu website oficial, como um recurso turístico-cultural a visitar, ainda que o mesmo não esteja preparado para a sua usufruição turística. Conclui-se, portanto, que o Castro de Vila Nova, ainda que possua alguns troços de muralha visíveis e uma pequena placa informativa, não possui nenhum potencial turístico de momento. A elevada degradação do sítio arqueológico e a elevada quantidade de vegetação evasiva no local que impede que outras estruturas para além da muralha sejam visíveis podem ser utilizados como justificação dessa conclusão. O Castro de Vila Nova é mais um exemplar de património castrejo em risco.
Castro de Vilarandelo
Visitado a 10 de junho de 2025
Por fim, de forma a terminar o património castrejo valpacense e a sua avaliação, foi visitado o Castro de Vilarandelo, o povoado castrejo localizado mais a este de todo o território em estudo, classificado como Imóvel de Interesse Público desde 1986. Trata-se de um povoado de pequenas dimensões, onde apenas existe registro de descoberta de algumas estruturas correspondentes a habitações de planta circular e linhas de muralha. Ainda que seja essa a informação dada pelo SIPA, isso não foi percetível no local. Aliás, este foi provavelmente o sítio arqueológico mais difícil de localizar em todo trabalho investigativo. As coordenadas atribuídas pelo SIPA eram distintas das coordenadas do Portal do Arqueólogo, sendo que deu preferência às coordenadas dadas pelo segundo website. O local tinha um caminho de pé posto com alguns troços de difícil transposição, ladeado de vegetação evasiva de grandes dimensões. Alguns dos caminhos que saíam deste acesso eram impossíveis de aceder devido à vegetação. No solo, apenas se conseguia detetar alguns aglomerados de pedras soltas, seguramente pertencentes a algumas estruturas castrejas ou a um campo de pedras fincadas defensivo. Em resposta a um conjunto de perguntas enviadas por e-mail, os técnicos de turismo do município de Valpaços enunciaram que existe por parte da junta de freguesia local em criar um projeto que vise a valorização do povoado, sendo que foi afirmado que no momento a limpeza tem estado a seu cargo. Contudo, à data da visita efetuada não se verificou qualquer trabalho de limpeza do mesmo, nem recente nem antigo. Além disso, apesar desse interesse pela autarquia local, não existe nenhum painel ou sinal que indique a existência desse povoado classificado como Imóvel de Interesse Público. À semelhança dos demais castros valpacenses apresentados, a Câmara Municipal de Valpaços também o enumera como um recurso turístico-cultural a conhecer, ainda que a fotografia apresentada é uma genérica fotografia do monte onde se encontra e ainda que o sítio arqueológico em questão não seja visível nem se encontre preparado para ser visitado. Por fim, conclui-se que o Castro de Vilarandelo também não possui potencial turístico para se assumir como um relevante recurso do turismo castrejo do noroeste português. Acredita-se, contudo, que o desenvolvimento e a sua devida implementação de um projeto de reabilitação e beneficiação do castro, tal como idealizado, seria uma mais valia para reverter essa situação.
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