Paços de Ferreira


Sítios Arqueológicos Castrejos

Citânia de Sanfins

Visitada a 20 de julho de 2025

No concelho de Paços de Ferreira visitou-se e analisou-se aquele que é considerado uma das maiores referências da cultura castreja do noroeste da Península Ibérica, quase que se pode dizer que a par com já apresentada Citânia de Briteiros (Guimarães) e classificado como Monumento Nacional desde 1946: a Citânia de Sanfins. A Citânia de Sanfins é um povoado castrejo de grandes dimensões superandos os 15 hectares de área amuralhada, tendo sido palco de vários trabalhos arqueológicos ao longo das últimas décadas, que têm posto a descoberto diversas estruturas habitacionais, como bairros residências, linhas de muralha e outros edifícios de relevo como seu balneário castrejo, possuidor ainda sua Pedra Formosa original. O espólio aí descoberto é também muito significativo para a história da Cultura Castreja, com especial destaque para a estátua do guerreiro galaico aí descoberta. Grande parte do seu espólio encontra-se musealizado bem perto da sua localização no Museu Arqueológico da Citânia de Sanfins, no centro da localidade de Sanfins de Ferreira, num antigo solar. A visita à Citânia de Sanfins só fica completa se claro está se visitar também o seu museu arqueológico. O investigador acredita até que a visita ao museu deveria ser realizada primeiramente e só depois se deveria realizar a visita ao povoado castrejo em si. Os acessos ao local são muito bons, mas os acessos dentro do sítio arqueológico poderiam ser melhorados, já que não existe qualquer passadiço de orientação de visita, levando a que o visitante calcorrear os arruamentos originais. Além disso o caminho de conexão entre o povoado e o local onde se encontra o balneário castrejo não é de fácil transposição, feito através de caminhos de pé posto. 

Ao contrário da Citânia de Briteiros (Guimarães), a Citânia de Sanfins não se estende por uma encosta ingrime, mas antes por um vasto planalto, o que permite ao visitante ter um vislumbre logo à chegada da dimensão do povoado. Deve-se salientar também a existência de uma estrutura reconstruída, recriando o que seria um núcleo familiar castrejo. O local está degradado, com portas partidas, tendo até já em anos anteriores sido vandalizado e incendiado por visitantes descuidados. Trata-se do único complexo familiar reconstruído em território português, sendo possível vislumbrar a sua maqueta no museu arqueológico, anteriormente referido. No sítio arqueológico existe ainda logo à entrada um enorme painel com um mapa completo que apresenta os principais pontos a ver do povoado e a ordem de visita. Possui ainda uma breve resenha histórica em português e inglês e um código QR com mais informações detalhadas. Quando se vê à entrada um painel desta dimensão, financiado dentro do programa Portugal 2020, acredita-se que os restantes painéis informativos espalhados pelo sítio arqueológico seriam idênticos, contudo os mesmos são datados e apenas dizem o nome da estrutura que se observa em português, nada mais. Por isso é que se aconselha a visitar primeiro o museu arqueológico, já que no mesmo são disponibilizados mapas de bolso com informações semelhantes ao do painel à entrada do assentamento arqueológico. A limpeza do espaço deixa um pouco a desejar, sendo visível até algum lixo espalhado em algumas partes do povoado. À entrada da Citânia de Sanfins existe também uma enorme estrutura de betão, inserida na montanha, que foi construída para ser a receção do sítio arqueológico. Contudo, enquanto que na visita efetuada em 2022, o local se encontrava aberto, com a presença de um excelente guia a tempo inteiro com mais informações sobre o povoado; na visita realizada em 2025 tal não se verificou. O centro de receção mostrava sinais de abandono, encontrando-se totalmente vazio no seu interior. Acredita-se que a sua própria localização um pouco mais escondida acaba por não levar os visitantes sequer a saber que aquela estrutura existia, partindo logo para a citânia. O local não está vedado, ainda que em ocasiões em que seja interdito o seu acesso (como aconteceu em agosto de 2025 devido ao risco elevado de incêndio na região) através do fecho de uma cancela na única via de acesso rodoviário, o que pode impedir o acesso de viaturas, mas não impede o acesso de peões. 

Quanto à sua promoção, a Câmara Municipal de Paços de Ferreira tem efetuado um bom trabalho, promovendo-o como o seu principal sítio arqueológico e como "[…] uma das estações arqueológicas de maior preponderância da cultura castreja do Noroeste peninsular e, também, da proto-história europeia […]", no seu website oficial, ainda que apresente informação datada como a candidatura a UNESCO que caiu por terra ainda na primeira década do século XXI. Nessa mesma página são possíveis ver vários vídeos promocionais e expositivos do lugar, utilizado em campanhas promocionais do município pacense nas suas redes sociais e em eventos nacionais e internacionais. Por sua vez, em entrevista, a Dra. Ana Brandão, da Câmara Municipal de Paços de Ferreira, destacou o trabalho do município através da realização regular de visitas guias regulares, atividades educativas, programas de ocupação de tempos livres, comemoração de datas alusivas com atividades específicas e ainda no apoio à organização de percursos pedestres e atividades de educação ambiental e divulgação do património natural. Além disso, a promoção municipal assenta em matérias promocionais para serem entregues as visitantes e possíveis visitantes, ações de divulgação em feiras de turismo, plataformas de divulgação cultural, canais digitais, e também do projeto e app móvel Guided by Nature, desenvolvida pela Associação de Municípios do Douro e Tâmega. Recentemente, em julho de 2025, a Citânia de Sanfins foi alvo de uma reportagem da revista National Geographic onde a apresentam como o maior povoado castrejo português e a denominam de "capital castreja", realçando sempre a importância histórica e arqueológica da citânia. O sítio arqueológico continua a ser alvo de atenção dos arqueológos, tal como é referido pela revista internacional, que destacou uma start-up portuguesa chamada de Eye2Map que permite através de tecnologia revelar estruturas escondidas aos arqueológos. Contudo de acordo com o Dr. Gonçalo Cruz, da Sociedade Martins Sarmento, em entrevista, acredita que a Citânia de Sanfins precisa ainda de um maior investimento na sua valorização turística e, em março de 2021, é noticiado pelo website Verdadeiro Olhar que o ex-eurodeputado português Paulo Rangel se mostrava preocupado com um cenário de abandono com que encontrou a Citânia de Sanfins, referindo até que isso era "[…] um crime contra a história de Paços de Ferreira e de Portugal […]", acrescentado que havia perdido a sua visibilidade turística e identitária. Entre a visita realizada em 2022 e em 2025 destaca-se pela positiva a colocação do enorme painel-mapa à entrada do sítio arqueológico e pela negativa o encerramento do centro de receção e a degradação da reconstrução do núcleo familiar. O acesso entre o topo do povoado e o balneário (e até ao Penedo das Ninfas) é sem dúvida o maior calcanhar de Aquiles deste sítio arqueológico, levando até a alguns visitantes com maiores problemas de mobilidade não visitarem sequer o seu impressionante balneário (que não possui qualquer vedação que impossibilite o acesso por parte de quem o visita). 

Deve-se também aqui referir que a citânia fez parte do projeto CASTRENOR e da Rede de Castros do Noroeste. Mias recentemente juntou-se ao elenco patrimonial que participa no projeto da CCDR-Norte da Rota Castros a Norte. Conclui-se, portanto, que a Citânia de Sanfins é um exemplar castrejo com um forte potencial turístico, que tem vindo a ser trabalhado ao longo das últimas décadas, mas muito mais devagar em comparação com a Citânia de Briteiros (Guimarães), a Citânia de Santa Luzia (Viana do Castelo) e, até, com o Castro de S. Lourenço (Esposende). Pela sua dimensão e pela sua relevância histórica é capaz de atrair visitantes internacionais, já que até usava como referência em alguns museus arqueológicos espanhóis. A recuperação do centro de receção, a colocação de novos painéis informativos e de um passadiço, bem como a recuperação do núcleo familiar reconstruído seriam bons primeiros passos na afirmação da Citânia de Sanfins no turismo castrejo e no turismo arqueológico da Península Ibérica.


Espaços Museológicos

Museu Arqueológico da Citânia de Sanfins

Visitado a 20 de julho de 2025

Possivelmente um dos mais importantes museus arqueológicos do norte do país, o Museu Arqueológico da Citânia de Sanfins localiza-se no interior do Solar dos Brandões do século XVIII em Sanfins de Ferreira, muito próximo à Citânia de Sanfins. Inicialmente o museu somente ocupava uma pequena sala e depois acabou por ocupar todo o edifício, após aquisição do edifício pela Câmara Municipal de Paços de Ferreira, que o inaugurou oficialmente em 1984. O museu reúne vários materiais recolhidos nas escavações realizadas na Citânia de Sanfins dos quais se destaca a estátua de guerreiro galaico quebrada, símbolo da citânia. Além disso, a coleção possui ainda uma representação de uma cena de caça, elemento raro nas representações castrejas, e ainda uma tenaz de ferreiro, em bom estado de conservação. No museu ainda é possível vislumbrar algumas maquetes da citânia, do seu complexo habitacional familiar reconstruído e do seu balneário castrejo. Existe ainda numa das salas expositivas uma réplica em gesso do Penedo das Ninfas, localizado nas proximidades do povoado. No exterior, no quintal do solar, estão posicionadas diversas mós manuais também lá descobertas. O museu acaba por ser um importante complemente à visita à Citânia de Sanfins, já que no mesmo se pode ver espólio aí descoberto e conhecer mais sobre a cultura castreja no seu todo, graças também ao mapa exposto do inventário feito pelo Dr. Armando Coelho. Salientar ainda, dado no museu à entrada um mapa de bolso da citânia, sendo o único local onde se pode obter esse mesmo mapa. Além disso, a sua visita é ainda mais importante depois do "abandono" do centro de receção da Citânia, localizado junto às ruínas. 


Bibliografia

Câmara Municipal de Paços de Ferreira, s.d. Citânia de Sanfins. [Online]
Available at: https://cm-pacosdeferreira.pt/881/citania-de-sanfins
[Acedido em 2 agosto 2025].

Direção-Geral do Património Cultural, 1994. Citânia de Sanfins. [Online]
Available at: https://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=5093
[Acedido em 2 agosto 2025].

National Geographic, 2025. A Magia de Sanfins. [Online]
Available at: https://www.nationalgeographic.pt/historia/a-magia-historia-de-sanfins-povoado-citania-lidar-universidade-porto_6167
[Acedido em 2 agosto 2025].

Silva, A., 1986. A Cultura Castreja no Noroeste de Portugal. Paços de Ferreira : Museu Arqueológico da Citania de Sanfins.

Verdadeiro Olhar, 2021. Abandono da Citânia de Sanfins "é um crime contra a história de Paços de Ferreira e de Portugal". [Online]
Available at: https://www.verdadeiroolhar.pt/abandono-da-citania-sanfins-um-crime-historia-pacos-ferreira-portugal/
[Acedido em 2 agosto 2025].