Arcos de Valdevez


Sítios Arqueológicos Castrejos

Castro de Álvora

Visitado a 25 de maio de 2025

O primeiro é o Castro de Álvora, localizado a norte do concelho, selecionado por ser classificado desde 1990, como Imóvel de Interesse Público. Tal como dito na nota introdutória, os castros arcuenses são todos muito semelhantes devido ao seu atual estado de conservação e de valorização. Devido à grande quantidade de vegetação evasiva, não foram percetíveis nenhumas estruturas do Castro de Álvora, muito menos das gravuras rupestres aí existentes, como dá a notar a sua ficha de inventário do website do SIPA. Deve-se apenas reparar que existem algumas pedras soltas no local que poderão ter sido no passado pertencentes a edifícios castrejos. Também se deve realçar que foi aqui descoberto uma das poucas foices do património castrejo do noroeste peninsular. Além disso, o Castro de Álvora na década de 70 do século XX foi remexido por populares para busca de tesouros e para roubar pedras para outras construções, tendo essa atividade ilegal sido tardiamente parada pela GNR, não evitando assim algumas perdas patrimoniais que poderão ter nesse período ocorrido. No local, não existe nenhuma referência à existência de tal povoado proto-histórico, nem que aquela zona se trata de uma zona de sensibilidade arqueológica. O castro já se encontrava em situação semelhante na visita a ele realizada em 2022. 

Quanto à sua promoção, a Câmara Municipal de Arcos de Valdevez nem sequer o nomeia no seu website oficial de turismo. Apenas a junta de freguesia local o referencia na sua breve resenha histórica. Conclui-se, portanto, que o Castro de Álvora é mais um exemplo negativo de proteção, valorização e promoção do património castrejo, pois apesar de se encontrar classificado como Imóvel de Interesse Público, não existe por parte do município arcuense qualquer projeto e vontade passada, presente ou futura para salvaguardar e dinamizar turisticamente este relevante sítio arqueológico.


Castro de Ázere

Visitado a 25 de maio de 2025

Outro não exemplo de sítio arqueológico é o Castro de Ázere. Classificado como Monumento Nacional desde 1910, cedo despertou a atenção de alguns arqueológos da região. Apesar de existir relatos que comprovam a existência de ruínas de habitações de planta circular e retangular nesse mesmo castro, a grande quantidade de vegetação evasiva não permitiu vislumbrar tais achados, mesmo que a zona da sua acrópole até se encontrava minimamente limpa. Os arqueológos também descobriram ruínas de uma capela com orago a S. Miguel-o-Anjo no seu topo, com data de construção ainda desconhecida, mas que, tal como as ruínas das estruturas castrejas, não se encontra visível. A mesma situação observada em 2025 foi vislumbrada na visita efetuada ao local em 2022, ainda que em 2025 a sua acrópole se encontrava ligeiramente mais limpa, como dito anteriormente. O Castro de Ázere nunca foi alvo de trabalhos arqueológicos sistemáticos, o que dificulta imenso o seu estudo e compreensão. Os acessos até ao local são feitos por caminhos florestais, sendo até necessário, nas suas proximidades aceder ao sítio arqueológico por caminhos de pé posto. Foram ainda visíveis numa grande laje granítica que aí existia marcas e suportes de escalada, levando a crer que o espaço é utilizado por aficionados dessa modalidade desportiva, seguramente desconhecedores do real peso histórico e arqueológico daquele local. À semelhança dos demais castros arcuenses, não existe qualquer sinalética ou painel informativo que informe aqueles que por aí passam sobre a existência do sítio arqueológico castrejo. 

Quanto à matéria da sua promoção, essa não existe. O concelho de Arcos de Valdevez não o promove nem o menciona nos seus canais oficiais na internet, nem no seu website turístico, encontrando-se assim vedado ao esquecimento. Contudo, o Castro de Ázere chegou a integrar inicialmente a Rota dos Castros da CIM Alto Minho, em 2021, tendo sido retirado, entretanto desse elenco. Acredita-se, como tal foi já explicado, que a sua retirada se deveu primeiro à inexistência de condições de visitação e, segundo, de não possuir praticamente nenhuma ruína visível. Na visita efetuada em 2022 ao centro interpretativo dessa mesma rota, em Monção, foi possível ver reproduções em 3D dos povoados que a integravam, sendo que o Castro de Ázere apenas aparecia como um topo de uma colina, coberto de vegetação. Pode-se então concluir que o Castro de Ázere, apesar da sua classificação, importância histórica e aproximação ao centro histórico de Arcos de Valdevez e ao Paço de Giela (o mais relevante monumento histórico arcuense), apresenta-se como mais um exemplo castrejo negativo, onde a falta de interesse político e, até dos arqueológos, acaba por não lhe dar o devido potencial que o sítio arqueológico poderia realmente ter. 


Castro de Monte de Castro

Visitado a 25 de maio de 2025

Por fim, no concelho de Arcos de Valdevez, seguiu-se o Castro de Monte de Castro, também designado de Castro de Eiras, que à semelhança do seu homónimo famalicense, já anteriormente analisado, também possui vestígios de um balneário castrejo, sendo por isso adicionado a esta investigação, ainda que não possua qualquer classificação de proteção ou esteja em vias de classificação. Sim, este povoado castrejo é o único no concelho de Arcos de Valdevez e um dos dois do distrito de Viana do Castelo possuidor de um balneário castrejo, cuja Pedra Formosa foi retirada e levada para o núcleo museológico designado de Espaço Valdevez. Quanto às ruínas em si, tais não foram visíveis no local, devido ao mesmo problema apresentado anteriormente nos restantes castros arcuenses: elevada quantidade de vegetação evasiva. Além disso, no local não existe nada que indique a existência de tão relevante sítio arqueológico, que ainda não se encontra classificado, nem em vias de classificação. Deve-se recordar que o balneário castrejo só foi identificado em trabalhos arqueológicos ocorridos em 2015. 

À semelhança dos demais povoados castrejos arcuenses, a Câmara Municipal de Arcos de Valdevez não refere nem divulga o Castro de Monte de Castro, em nenhum dos seus meios digitais. Contudo, a junta de freguesia local apresenta-o na sua breve resenha histórica. Apesar de tudo o que foi apresentado anteriormente, parece existir "luz ao fundo do túnel", sendo neste momento o único castro arcuense possuidor de um projeto de revitalização. Em março de 2025, numa reunião extraordinária, a Câmara Municipal de Arcos de Valdevez aprovou um procedimento para a realização de estudos no âmbito de um projeto designado de "Romanização do Vale do Vez/Alto da Pedrada e Castro de Eiras" com a duração de 360 dias e o custo de quase 50 mil euros. Tal demonstra o surgimento de um interesse por parte dos decisores políticos locais em proteger e valorizar tão relevante recurso patrimonial, ainda que se pense que grande parte do orçamento seja direcionado para o acampamento romano do Alto da Pedrada. Conclui-se, portanto, que o Castro de Monte de Castro encontra-se ainda numa fase muito embrionária da sua possível valorização turística. A existência de um balneário castrejo no povoado, algo raro na região e muito relevante, pode ser a principal característica que faça com que o município arcuense procure apostar inicialmente neste povoado castrejo em comparação aos demais. Como o projeto ainda se encontra na fase de desenvolvimento de estudos, o castro ainda não é possuidor de qualquer relevância para a atividade turística. 


Espaços Museológicos

Espaço Valdevez - História e Arqueologia

Visitado a 25 de maio de 2025

Partindo agora para o distrito de Viana do Castelo, mais concretamente para o concelho de Arcos de Valdevez, localiza-se o Espaço Valdevez, um pequeno museu recentemente inaugurado dedicado exclusivamente à história do concelho. A visita é feita por ordem cronológica da frente para trás, passando pelas invasões francesas até à pré-história. Quanto ao tema em estudo há duas salas que se salientam: a primeira é dedicada a o período da proto-história e da romanização e a segunda dedicada a Felix Alves Pereira, um importante arqueólogo arcuense. Na primeira, é possível ver algum espólio cerâmico e numismático dos diversos povoados castrejos desse território. O destaque vai mesmo para a Pedra Formosa do Balneário do Castro de Monte de Castro, removida do seu local original por motivos de preservação. A Pedra Formosa foi posicionada como porta de acesso a uma pequena réplica de um balneário castrejo. Além disso, existe também um painel tátil onde o visitante pode obter mais informações em português e inglês sobre o espólio aí apresentado e outras peças presentes no Museu Nacional de Arqueologia. Algo curioso é o seu carácter mais dinâmico, pois o visitante pode vestir a pele de um arqueólogo, vendo e interagindo com objetos reais utilizados em qualquer escavação arqueológica. 

Por fim, a sala dedicada a Felix Alves Pereira é possível conhecer mais sobre o trabalho desse importante arqueólogo arcuense, desde os locais que escavou como o Castro de Ázere e o Castro de Alvora, através de uma tela interativa. O museu é totalmente acessível, apesar de estar dividido em cinco pisos distintos. Conclui-se que o Espaço Valdevez é um espaço museológico moderno, que funde a história e a tecnologia de forma a tornar-se mais apelativo e atrativo a todos os públicos. A vertente educativa de atividade presente em cada uma das suas salas, leva o visitante, sobretudo mais novo, a ver a realidade por detrás das exposições que observa, aprendendo assim de forma dinâmica, enriquecedora e distinta.


Paço de Giela

Visitado a 25 de maio de 2025

No histórico Paço de Giela, junto à vila de Arcos de Valdevez, na sua torre de menagem existe uma pequena exposição permanente com algum espólio concelhio desde o período da pré-história, proto-história, época romano, época medieval e época moderna. Do período castrejo, que realmente interessa a esta investigação, destaca-se sem dúvidas a estátua de guerreiro galaico incompleta, descoberta no Castro de Cendufe, localizado no mesmo concelho. A estátua apenas apresenta a parte inferior do corpo, porém decorado com motivos castrejos. Aliás, é o único elemento móvel que faz parte da Rota dos Castros da CIM Alto Minho, por ser a única estátua musealizada no distrito de Viana do Castelo. Junto à vitrine de exposição, existe um painel interativo móvel que vai explicando ao visitante melhor cada uma das peças expostas, de uma forma dinâmica, sendo possível ver, no caso dos fragmentos cerâmicos, algumas reconstituições virtuais desses pedaços nas peças maiores. Apesar de se assumir à partida que o Paço de Giela é um relevante elemento histórico medieval, possui também uma riquíssima coleção arqueológica que merece ser conhecida, à semelhança de outros espaços medievais, como o já apresentado, Castelo de Lanhoso, para conhecer melhor a proto-história do noroeste português. 


Bibliografia

Centro Nacional de Cultura, s.d. Balneário do Castro do Alto das Eiras. [Online]
Available at: https://www.e-cultura.pt/artigo/7883
[Acedido em 23 agosto 2025].

Galvão, A., 2007. Resenha Histórica de Alvora Arcos de Valdevez. [Online]
Available at: https://minhaterralindaldeia.blogs.sapo.pt/3702.html
[Acedido em 16 agosto 2025].

Silva, A., 2016. O Balneário Castrejo do Castro de Eiras / Aboim das Choças (Arcos de Valdevez: notícia do achado e ensaio interpretativo. Al-Madan, II(20), pp. 27-34.

União de Freguesias de Álvora e Loureda, s.d. História. [Online]
Available at: https://alvora-loureda.com/historia/
[Acedido em 16 agosto 2025].

União das Freguesias de Eiras e Mei, s.d. História. [Online]
Available at: https://eiras-mei.com/historia/
[Acedido em 16 agosto 2025].