Póvoa de Lanhoso


Sítios Arqueológicos Castrejos

Castro de Lanhoso

Visitado a 12 de julho de 2025

O concelho de Póvoa de Lanhoso, riquíssimo em termos culturais, apresenta também um importante povoado castrejo: o Castro de Lanhoso, classificado como Imóvel de Interesse Público desde 1940. Localizado no sopé do Monte do Pilar, considerado o maior monólito de granito da Península Ibérica. O povoado acabou por ser descoberto aquando da construção da estrada de acesso ao Santuário de Nossa Senhora do Pilar e ao Castelo de Lanhoso, situados no topo do monte. Acredita-se que a parte descoberta corresponderá a uma pequena parte do povoado, pois a construção do castelo e do santuário seguramente terá levado à destruição de uma parte do castro. No local existem várias ruínas de habitações de planta circular e retangular, visíveis ao longo de um percurso de visitação que conjuga passadiços em madeira com degraus, caminhos pedestres em terra batida e ainda parte do escadório setecentista de acesso ao Santuário de Nossa Senhora do Pilar. 

Como é percetível no discurso anterior, o percurso não é de fácil transposição, mas existem bem piores. O próprio arqueólogo municipal, o Dr. Orlando Fernandes, em entrevista, deu o exemplo de uma visita que realizou a estudantes da Universidade Sénior do Porto que devido à variação de cotas e às escadas que se desenvolveu com enorme dificuldade. Denotou-se uma certa degradação principalmente do passadiço de madeira. Além das ruínas, existe ainda no fim (ou no início, dependendo por onde se começa) três casas reconstruídas diferentes, com os seus telhados de colmo: uma de planta circular sem vestíbulo, outra de planta circular com vestíbulo e, por fim, outra de planta retangular sem vestíbulo. A ideia seria apresentar os tipos de habitações castrejas existentes no sítio arqueológico. Contudo, a degradação é bem visível, parecendo até que o local está quase que abandonado, estando os telhados quase sem palha e o local com muito lixo. Nas entradas do castro existem ainda dois grandes painéis com informação em português e inglês (através de códigos QR), também muito sujos, no qual há várias fotografias e um mapa do sítio arqueológico. 

Algo importante a destacar é o seu espólio de grande valor descoberto, como um capacete de bronze em excelente estado (ainda com correia) que se encontra preservado no Museu de Arqueologia D. Diogo de Sousa (Braga). Além disso, encontraram-se vários torques também no local, hoje no Museu Nacional de Arqueologia (Lisboa). Nos anos 80, um grupo de arqueológos estadunidenses efetuou com conjunto de escavações, que de acordo com o técnico municipal presente no Castelo de Lanhoso, terão seguramente "roubado" algumas das principais peças aí descobertas e levado para os Estados-Unidos da América. Outro ponto relevante a salientar é o facto de o Castelo de Lanhoso, presente no topo do respetivo monte, possuir também dentro um centro interpretativo que aborda a história do castelo, mas também de todo o Monte do Pilar, incluindo do Castro de Lanhoso, com algum espólio descoberto e ainda uma réplica do capacete de bronze. O técnico municipal aí presente é um grande dinamizador de todo o monte, realizando várias visitas guiadas quer ao castelo quer ao povoado castrejo, especialmente a um público escolar, como visível na data da visita efetuada em 2025. Comparando com a visita efetuada em 2022, o Castro de Lanhoso encontrava-se menos limpo e com um menor trabalho de manutenção, sobretudo no seu passadiço e nas casas reconstruídas. Salientar ainda que o castro foi membro do projeto CASTRENOR, estando também, desde 2025, incorporado na Rota Castros a Norte da CCDR-Norte. Em suma, o Castro de Lanhoso apresenta várias características que podem potenciar turisticamente. Desde logo a sua proximidade ao centro histórico de Póvoa de Lanhoso e aos seus dois mais relevantes monumentos: o Castelo de Lanhoso e o Santuário de Nossa Senhora do Pilar. Além disso, a existência de atividades de dinamização do espaço arqueológico com alguma recorrência (como caminhadas temáticas, visitas guiadas noturnas, peças de teatro, entre outras), aliado ao seu fácil acesso e à existência de casas reconstruídas alavanca ainda o seu potencial. Contudo, ainda há coisas a serem feitas, como a reabilitação da zona visitável e a colocação de novos passadiços de fácil transposição e novos painéis informativos. 

Salientar ainda que o município de Póvoa de Lanhoso organiza visitas guiadas ao castro, tanto a escolas como ao público em geral, através de marcação prévia, que podem também ser dinamizadas através de um peddy-paper. Além disso, também é possível realizar visitas guiadas inclusivas, já que o monumento pertence à Rota dos Monumentos Inclusivos da Póvoa de Lanhoso. Em entrevista, o Dr. Orlando Fernandes, arqueólogo municipal, afirma a importância do projeto da Rede de Museus e Monumentos do Ave, desenvolvido pela CIM Ave, que tem vindo a "[…] inventariar os povoados e fazer o levantamento das suas características no que diz respeito aos acessos, musealização, serviços educativos […]" porém ainda nada foi concretizado. Por fim, destacar ainda a promoção feita ao sítio arqueológico como monumento visitável na Estrada Nacional 103, designada como Rota Norte, e do Caminho Português de Santiago Leon de Rosmithal. 


Espaços Museológicos

Casa da Botica

Visitado a 12 de julho de 2025

A Casa Botica é um dos principais edifícios de gestão municipal da Póvoa de Lanhoso, localizado no centro da vila, sendo também sede do posto de turismo do concelho. No sue interior existe ainda um pequeno centro expositivo sobre o concelho povoense, com informação histórica sobre o território e referências à suas tradições como o artesanato aurífero. A sua inclusão nesta investigação deve-se à presença de uma Pedra Formosa, proveniente do Castro de Calvos, localizado no mesmo concelho. O castro em questão foi praticamente destruído por uma pedreira aí existente, tendo sido a Pedra Formosa do seu balneário resgatada após denúncia de alguns populares às autoridades municipais da destruição patrimonial que aí estava a ocorrer. A Pedra Formosa encontra-se incompleta, sobrevivendo apenas a sua base, contudo encontra-se bem decorada com motivos curvilíneos. Não existe no local muito mais informação sobre o povoado ou sobre o castro, havendo apenas um pequeno painel informativo sobre o funcionamento e proveniência da Pedra Formosa. Conclui-se, portanto, que o local é um espaço interessante para visitar e conhecer mais sobre estas enigmáticas peças da arte castreja.


Castelo de Póvoa de Lanhoso

Visitado a 12 de julho de 2025

No alto do Monte da Senhora do Pilar, por detrás do santuário homónimo, naquela que seria a acrópole do Castro de Lanhoso, localiza-se o Castelo de Lanhoso, um dos mais lendários castelos medievais portugueses, por supostamente ter aí sido feito o cárcere de Dona Teresa após a sua derrota contra o seu filho Afonso Henriques na Batalha de S. Mamede. O castelo sofreu de uma forte intervenção realizada pela DGEMN no século XX, tendo mais tarde se tornado num espaço museológico, onde se pode conhecer mais sobre a história daquele território. É também no seu interior que se pode conhecer mais sobre o Castro de Lanhoso, sendo visível algum do seu espólio e uma réplica do capacete de bronze aí descoberto que se encontra exposto no Museu de Arqueologia D. Diogo de Sousa, em Braga. Para além disso, existe um pequeno vídeo que permite saber mais sobre a história daquele monólito. O técnico presente no Castelo de Lanhoso deve ser destacado, pelo seu vasto conhecimento e gentileza, sendo também responsável por dinamizar visitas guiadas a miúdos e graúdos quer ao Castelo de Lanhoso, quer aos restantes espaços do monólito, como o santuário e o Castro de Lanhoso em si. A visita ao interior do castelo não é acessível a todos, já que é necessário subir uma grande escadaria para entrar. Ainda assim, a sua visita é um importante complemento a todos aqueles que visitam no sopé o Castro de Lanhoso e para aqueles que querem conhecer melhor a história desse mesmo concelho.


Museu do Ouro de Travassos

Visitado a 8 de junho de 2025

Localizado numa freguesia rural do concelho de Póvoa de Lanhoso denominada de Travassos, o Museu do Ouro foi inaugurado em 2001 com o objetivo de valorizar e dignificar o trabalho artesanal do ouro, na freguesia que possui ainda um número significativo de oficinas artesanais de ouro em funcionamento. A visita pode ser efetuada por marcação ou apenas aos fins de semana. Para além de se conhecer mais sobre a produção do ouro e da filigrana, com direito até a uma demonstração ao vivo desse trabalho, existe ainda uma pequena sala com espólio arqueológico em ouro. De acordo com informação dada pela Dra. Maria José Sousa, diretora do Museu de Arqueologia D. Diogo de Sousa e filha do fundador do Museu do Ouro de Travassos, todas as peças aí expostas foram recolhidas pelo seu pai junto de artesãos de ouro ou foram lhe entregues por alguns populares que as iam descobrindo nos campos. Grande parte da coleção exposta é composta por moedas da antiguidade. Deve-se também salientar a presença de um diadema que é mais antigo que as Pirâmides de Gizé, no Egito. 

Por fim, e dentro da temática castreja, o Museu do Ouro de Travassos possui belos exemplares de torques castrejos, que apesar de quebrados pelos artesãos de ouro no passado, encontram-se em muito bom estado de conservação. Além disso, noutra sala há alguns painéis expositivos sobre o trabalho aurífero, com algumas referências ao período castrejo: os fornos ativados por foles, como era feito o tratamento da liga e como era feito o fabrico do fio de ouro na proto-história. Conclui-se, portanto, que o Museu do Ouro de Travassos, apesar da sua simplicidade e carácter mais familiar, é um interessante museu para conhecer mais sobre a história da produção do ouro, desde os tempos pré-históricos até à atualidade, não esquecendo, portanto, os tempos castrejos, que nesta investigação se salientam. 


Bibliografia

Câmara Municipal de Póvoa de Lanhoso, s.d. Castro de Lanhoso. [Online]
Available at: https://www.povoadelanhoso.pt/concelho/patrimonio/imoveis-interesse-publico/castro-de-lanhoso/
[Acedido em 9 agosto 2025].

Direção-Geral do Património Cultural, 1994. Povoado fortificado de Póvoa de Lanhoso / Estação lusitano-romana, na Estrada para o Castelo de Póvoa de Lanhoso. [Online]
Available at: https://www.monumentos.gov.pt/site/app_pagesuser/sipa.aspx?id=1890
[Acedido em 9 agosto 2025].