Guimarães
Sítios Arqueológicos Castrejos
Castro de Sabroso
Visitado a 20 de julho de 2025
Numa situação bem diferente encontra-se o Castro de Sabroso, localizado nas proximidades da vila de Caldas das Taipas e classificado como Monumento Nacional. Este sítio arqueológico foi um dos primeiros a ser escavado pelo próprio Francisco Martins Sarmento, juntamente com a Citânia de Briteiros que será apresentada mais à frente. Com uma dimensão inferior a essa grande citânia, não deixa de ser um castro dono de uma área surpreendente. São visíveis várias habitações de planta circular e retangular, bem como excelentes trechos das suas linhas de muralha, em excelente estado de conservação. De acordo com o Silva (1986) existe a possibilidade de existir em Sabroso um balneário castrejo, ainda não descoberto. É sem qualquer dúvida, o sítio arqueológico castrejo que sofreu a maior evolução positiva, comparando as três visitas efetuadas ao espaço: uma em 2019, outra em 2022 e, a mais atual, em 2025. Na primeira visita, houve um certo choque: o Castro de Sabroso estava completamente vetado ao abandono, coberto de vegetação evasiva e de um vasto eucaliptal. Na data da visita, verificou-se até que a queda de uma árvore tinha danificado uma parte de uma das suas muralhas. Foi de facto chocante ver as fotografias tiradas por Francisco Martins Sarmento aquando da realização das suas escavações e a realidade em que se encontrava esse castro em 2019.
Em 2021, no âmbito de uma proposta ao Orçamento Participativo do Município de Guimarães, inicia-se o projeto de trabalho de reabilitação e intervenção do Castro de Sabroso, primeiro com a sua limpeza e vedação, seguido da colocação de painéis informativos. Esse mesmo projeto foi maioritariamente financiado por fundos europeus, tendo sido apenas uma pequena parte paga pelo município vimaranense, que deixou o castro ao cuidado da Sociedade Martins Sarmento. Em 2022, o Castro de Sabroso ainda não tinha sido feita a sua abertura oficial ao público, sendo visíveis já vários dos seus trabalhos de musealização, como a colocação da vedação. Já na visita realizada em 2025, o sítio arqueológico já estava aberto ao público, 24 horas ao dia, sendo o próprio visitante responsável pela abertura e fecho do seu portão de acesso. Verificou-se a colocação de vários painéis informativos em português e inglês e de um enorme mapa à entrada com indicação do percurso a ser realizado, acompanhado ao longo do castro por setas. Na vertente sudoeste do castro, existe um pequeno passadiço para um melhor vislumbre do castro. Na sua acrópole, junto a um marco geodésico, existem ainda vestígios de arte rupestre castreja, que o Dr. Gonçalo Cruz, em entrevista, afirmou que em princípio será colocado uma barreira para evitar que os visitantes danifiquem essas mesmas gravuras. Durante a visita foi possível vislumbrar que o espaço está a ser alvo de várias escavações promovidas pela Sociedade Martin Sarmento. De facto, a evolução é notável, mas ainda há alguns aspetos que deverão ser melhorados. Aquando da visita em 2025, não se esperava ver tanta vegetação evasiva no sítio arqueológico, que chegava a cobrir alguma da sinalética e das próprias ruínas. Além disso, apesar de a estrada rodoviária chegar praticamente ao sopé do castro, o acesso entre a estrada e a entrada da vedação é feita por um caminho florestal em muito mau estado, sendo que o mesmo poderia ser calcetado à semelhança do que acontece no Balneário Castrejo de Santa Maria dos Galegos (Barcelos). Acresce ainda a falta de um estacionamento próprio nas suas proximidades, como apenas mais um problema detetado. Ainda assim, acredita-se após entrevista realizada com o Dr. Gonçalo Cruz, arqueólogo da Sociedade Martins Sarmento, que essas falhas serão colmatadas nos próximos meses.
Quanto à sua promoção, o Castro de Sabroso, após o seu processo de musealização, tem vindo a ser promovido como um relevante sítio arqueológico do concelho, sempre colocado em segundo plano em comparação à Citânia de Briteiros. O município promove-o como um importante recurso turístico do concelho, existindo até algumas brochuras sobre o mesmo, espalhados por vários espaços museológicos e turísticos do concelho vimaranense. Durante o ano são organizadas visitas guiadas ao sítio arqueológico promovidas pela Sociedade Martins Sarmento e pela própria Câmara Municipal de Guimarães. Além disso, é também um dos poucos castros promovidos como um dos principais recursos turísticos do Eixo Atlântico. Deve-se ainda destacar que o castro está eternizado na toponímia local, no arruamento chamado de "Rua do Castro de Sabroso".
Concluindo, o Castro de Sabroso apresenta-se como um excelente exemplo de resiliência e superação, passando de um sítio arqueológico vetado ao abandono, à mercê da sua sorte, para um espaço arqueológico museológico promovido como um relevante recurso turístico do concelho de Guimarães. Acaba por ser a prova que não é necessário um grande investimento para se poder recuperar estes sítios arqueológicos, de forma a coloca-los à disposição quer da comunidade local quer daqueles que visitam esse mesmo destino.
Castro de São Miguel-o-Anjo
Visitado a 3 de agosto de 2025
O primeiro exemplar visitado é seguramente o que foge de todo o esplendor apresentado no parágrafo anterior: o Castro de S. Miguel-o-Anjo, localizado no monte homónimo, não devendo ser confundido com outro castro famalicense com exatamente a mesma designação, selecionado para esta investigação por possuir uma entrada individual no website do SIPA e ter vestígios visíveis, ainda que não esteja protegido sobre nenhuma classificação de proteção legal. Da centena de castros visitados este foi o último de todos e também um dos mais dececionantes. Os acessos até ao topo do monte são muito bons, feitos com estradas calcetadas, e, quando se chega lá a cima, apenas se consegue encontra uma pequena capela, algumas mesas de piqueniques e uma grande "paliçada" em madeira que veda toda estrutura pertencente ao agrupamento de escuteiros local. A história conta que o castro já seria conhecido como ruínas dos mouros já no século XVIII, tendo tido também ligeiros trabalhos feitos por Martins Sarmento. Mas o seu maior achado foi de facto um troço impressionante de uma das suas linhas de muralha com cerca de 2 metros de altura e 43 metros de comprimento, descoberta essa realizada pelo agrupamento de escuteiros local, que acabaram por colocar uma placa comemorativa sobre a muralha após a descoberta. Certo é que por mais voltas que sê ao local onde se encontra o sítio arqueológico não se encontra a dita muralha, quer na visita efetuada em 2022, quer na visita efetuada em 2025.
Na última visita ao local, encontrava-se um popular a preparar umas mesas de piquenique para um evento familiar, e após ser interrogado sobre o paradeiro da muralha, o próprio também não sabia da sua localização. Esta pequena interação também demostra aquilo que já anteriormente foi apresentado que é o desconhecimento existente sobre este património por parte da própria comunidade local. Após muita procura chegou-se à conclusão que a tal linha de muralha se encontra dentro da zona de recreio e lazer do agrupamento de escuteiros, que apenas abre para atividades escutistas, estando encerrada à hora da visita ao local. O resto do sítio arqueológico encontra-se pouco cuidado, com uma grande quantidade de vegetação evasiva e uma grande quantidade de lixo, parecendo ser até um local onde se vai deitar entulho. Além disso, nota-se que os caminhos florestais que depois atravessam o monte e o próprio sítio arqueológico são utilizados por veículos todo-o-terreno, o que acaba por ser uma ameaça esse bem patrimonial. Apesar da sua classificação de proteção e de relevância, pouca informação e promoção existe sobre o Castro de S. Miguel-o-Anjo, sendo um sítio arqueológico apenas presente em algumas informações arqueológicas do concelho vimaranense.
A própria junta de freguesia local pouco sabe sobre a sua existência também. Em suma, este castro acaba por ser um exemplar semelhante a muitos outros, abandonado e desconhecido, mas que possui a característica interessante de possui um trecho de muralha em excelente estado de conservação, cuja visualização é interdita, por estar em área vedada pelo agrupamento de escuteiros local.
Citânia de Briteiros
Visitada a 20 de julho de 2025
Por fim, mas não menos importante, o concelho de Guimarães alberga o ex-líbris de toda a Cultura Castreja do noroeste da Península Ibérica: a Citânia de Briteiros. Falar de castros e cultura castreja é inevitavelmente falar da Citânia de Briteiros, primeiro grande povoado escavado por Francisco Martins Sarmento, no século XIX, que seria o sítio arqueológico pioneiro da arqueologia castreja. A própria revista National Geographic apresentou a Citânia de Briteiros como um ícone da cultura casrtreja. A sua grande dimensão justifica o seu nome de citânia, existindo dezenas de habitações de planta circular, ovalada e retangular, com ou sem vestíbulo, totalmente escavadas nos seus vários hectares. A Citânia de Briteiros é também um espaço com vários aspetos particulares, como as redes de arruamentos bem visíveis, as suas linhas de muralha, as duas primeiras casas castrejas reconstruídas (pelo próprio Francisco Martins Sarmento e que de acordo com o próprio não ficaram bem feitas), mas também alguns edifícios únicos, como a chamada Casa do Conselho, com um grande diâmetro e um banco a percorrer todo o muro da casa, acreditando tratar-se de um local de reunião entre os líderes e guerreiros do povoado. Além disso, a citânia é o único povoado descoberto até ao momento que possuía dois edifícios utilizados como balneários castrejos, tendo um deles sido descoberto aquando a construção da estrada que aí passa. Apenas um dos balneários é visitável, encontrando-se vedado, possuindo ainda a sua Pedra Formosa. O outro não é visível no percurso turístico, mas a sua Pedra Formosa pode ser vislumbrada no Museu da Cultura Castreja no sopé do monte. Essa Pedra Formosa é a Pedra Formosa original, ou seja, a primeira a receber essa designação, graças aos detalhes artísticos que possui.
A Citânia de Briteiros encontra-se musealizada e aberta ao público, dentro de um certo horário de funcionamento, tendo até um bilhete de entrada que pode ser combinado com a visita ao Museu da Cultura Castreja e ao Museu da Sociedade Martins Sarmento. À entrada do sítio arqueológico, existe um pequeno edifício que serve de receção, tendo até uma pequena cafetaria e casas de banho, onde é entregue após a compra da entrada, um pequeno roteiro e mapa da citânia, com explicações sobre as suas diversas partes. Esses roteiros são produzidos cada um na sua língua, português, inglês, francês e espanhol. Na entrevista realizada ao Dr. Gonçalo Cruz decidiu-se retirar informação sobre as gravuras rupestres aí existentes para evitar a sua danificação. O sítio arqueológico ainda recebe anualmente o evento "Citânia Viva", organizado em conjunto com a Casa do Povo de Briteiros, um dos primeiros eventos de animação castreja feitos em Portugal, que será explicitado mais adiante. Mas apesar de ser um exemplo a nível nacional e internacional, a musealização da Citânia de Briteiros apresenta alguns problemas, que de acordo com o Dr. Gonçalo Cruz, existe já um plano futuro para os colmatar. O primeiro grande problema a apresentar é a forma como é feita a visita ao espaço, levando o visitante a percorrer os arruamentos originais, pouco confortáveis e barreiras à visitação por parte de um público mais velho e com maiores dificuldades motoras. Além disso, a parte da descida é feita pelo meio das casas, sendo o caminho de maior dificuldade a percorrer. De momento, a Sociedade Martins Sarmento encontra-se a estudar a possibilidade de colocação de um passadiço que facilite a visita a todos os que queiram visitar a citânia, evitando o uso dos arruamentos originais e a vandalização (propositada ou não) das suas ruínas. Outro problema apresentado é a degradação dos seus painéis informativos. Apenas o painel que se encontra logo a entrada sobre o uso de mó manuais ainda possui alguma informação. Os demais encontram-se apenas a estrutura sem qualquer informação. O Dr. Gonçalo Cruz afirmou que estava em procedimento a colocação de uma nova rede de painéis informativos, com informação mais atualizada e mais dinâmica ao longo do sítio arqueológico. Outro problema apresentado pelo próprio Dr. Gonçalo Cruz é o excesso de arvoredo na citânia. Todas as árvores aí presentes são espécies autóctones da floresta portuguesa, sendo uma delas aliás classificada como arvoredo de interesse público. Contudo a sua elevada quantidade acaba por ser uma ameaça à preservação do sítio arqueológico, sobretudo pelas suas raízes que entranham na terra e destroem parte das ruínas da citânia. Por isso, a Sociedade Martins Sarmento já pediu ao ICNF uma autorização especial para proceder ao abate de algumas dessas árvores, para uma melhor conservação do assentamento arqueológico.
Em termos do número de visitantes, a Citânia de Briteiros recebeu no ano de 2024 cerca de 12473visitantes de acordo com informação oficial obtida diretamente pela Sociedade Martins Sarmento. Quando falamos da sua promoção, a Citânia de Briteiros é seguramente o sítio arqueológico mais promovido em Portugal. A nível local, a Câmara Municipal de Guimarães apresenta-o como um dos principais recursos turísticos do concelho, colocando no seu próprio mapa e roteiros turísticos, bem como nos seus vídeos promocionais. Acrescenta-se ainda a presença da citânia e do Museu da Cultura Castreja no cartão turístico do destino de Guimarães, designado de Guimarães Pass, englobando-os nos principais atrativos a visitar por qualquer turista que chegue a Guimarães. Em termos regionais, Briteiros é apresentado a par das gravuras rupestres do Vale do Côa, como um dos principais sítios arqueológicos da região turística do Porto e Norte de Portugal. Em termos nacionais, basta abrir um manual escolar da disciplina de História, onde se utiliza fotografias da Citânia de Briteiros para falar dos povos anteriores à chegada dos romanos (por vezes de forma equivocada a juntar a citânia e os lusitanos no mesmo saco). Além disso, a Citânia de Briteiros é facilmente palco de reportagens e programa televisivos portugueses e até alvo de descrições de páginas de livros de grandes escritores como de José Saramago no seu "Viagem a Portugal".
Por fim, em termos internacionais, Briteiros é apresentada como a joia da coroa castreja, o exemplo a seguir de povoado e museu. Basta ter em conta as várias referências em museus galegos sobre a temática à citânia e, até mesmo, um documentário realizado pela TV Galicia, designado de "Os Castros", cujo o primeiro povoado visitado é a própria Citânia de Briteiros. Além disso, também é apresentada como um dos principais recursos turísticos do Eixo Atlântico. A citânia fez sempre parte de importantes projetos de valorização e promoção da cultura castreja do noroeste peninsular, tais como o CASTRENOR, a Rede de Castros do Noroeste e a candidatura a Património Mundial da UNESCO. Atualmente, no ano de 2025, passou a participar no projeto desenvolvido pela CCDR-Norte da Rota Castros a Norte. Em suma, a Citânia de Briteiros é sem dúvida um ícone e bem merece essa distinção. É um exemplo perfeito da preservação e valorização castreja em Portugal e na Península Ibérica e do seu usufruto para o turismo. Existem claro alguns problemas a ser combatidos, mas que a Sociedade Martins Sarmento, que a gere, tem conhecimento e tem vindo a estudar e a desenvolver projetos que os tentam mitigar.
Espaços Museológicos
Museu Arqueológico da Sociedade Martins Sarmento
Visitado a 20 de julho de 2025
No centro histórico de Guimarães, localiza-se a sede da importante Sociedade Martins Sarmento, fundada pelo pioneiro arqueólogo castrejo Francisco Martins Sarmento, tal foi já apresentado anteriormente. O museu arqueológico é um dos mais antigos do país, tendo sido inaugurado a 9 de março de 1885. O museu destaca-se não só pela sua quantidade elevada de peças arqueológicas, mas também de numismática e arte sacra. Relativamente à sua coleção arqueológica castreja, o grande destaque vai para os vários artefactos descobertos por Francisco Martins Sarmento em povoados vimaranenses, como a Citânia de Briteiros e o Castro de Sabroso, mas também em outros povoados castrejos fora do concelho de Guimarães, como a Cividade de Âncora (Viana do Castelo-Caminha) de onde são provenientes um conjunto de lintéis decorados e o Forno dos Mouros (Barcelos) de onde são provenientes umas estátuas misteriosas que representam supostamente um casal.
Para além dos achados de Martins Sarmento, existe ainda a coleção de Albano Belino, arqueólogo bracarense que doou os seus achados a este museu, devido à inércia da política e sociedade de Braga em criar um museu arqueológico na cidade, no início do século XX. Da coleção de Albano Belino destacam-se alguns dos seus principais achados feitos no Castro de Monte Redondo (Braga), entre outros. O museu possui entrada paga e é uma autêntica viagem no tempo, não só através das suas coleções, mas através das próprias estruturas do museu, mantendo as mesmas desde a sua fundação. Ainda assim e apesar da sua basta coleção exposta, não existe praticamente nenhuma interpretação do mesmo. Conclui-se, portanto, que o Museu Arqueológico da Sociedade Martins Sarmento é sem dúvida um dos principais lugares para conhecer não só a arqueologia castreja e as suas origens, mas também a própria história da arqueologia nacional.
Museu da Cultura Castreja
Visitado a 20 de julho de 2025
No sopé do monte onde se localiza a icónica Citânia de Briteiros, localiza-se o Museu da Cultura Castreja, também gerido pela Sociedade Martins Sarmento, único espaço museológico de grandes dimensões inteiramente dedicadas à cultura castreja em Portugal. Este espaço museológico ocupa o solar adquirido pelo próprio Francisco Martins Sarmento aquando da escavação da própria citânia e do Castro de Sabroso. A coleção do museu divide-se em duas partes distintas: a primeira, localizada no primeiro andar dedicado à vida do arqueólogo e historiador Francisco Martins Sarmento, onde o visitante pode ver a sua escrivaninha, alguns dos seus livros e apontamentos, mas também a sua máquina fotográfica, já que Francisco Martins Sarmento foi também um dos pioneiros da fotografia em Portugal, tendo até registado parte das suas escavações com a sua máquina. Pode-se ainda saber mais da sua estreita relação com o grande romancista Camilo Castelo Branco, com algumas cartas pessoais trocadas entre ambos. No rés-do-chão, na antiga adega da casa, encontra-se a coleção relativa ao espólio castrejo das escavações efetuadas quer na Citânia de Briteiros, quer no Castro de Sabroso, destacando-se vários lintéis de porta decorados, um deles até com uma pinça, que poderia ter indicado qual seria a casa do ferreiro do povoado. Há ainda vários vestígios cerâmicos. Nesta parte do museu há várias peças significativas que aqui merecem ser mencionadas. A primeira é uma cabeça humana de granito descoberto no Castro de Santa Iria (Póvoa de Lanhoso) nas proximidades da Citânia de Briteiros, que poderá ter pertencido não há uma estátua de um guerreiro, mas talvez a uma estátua de uma divindade. Outro artefacto a destacar é a cabeça em granito de uma escultura zoomórfica, um berrão melhor dito, um dos poucos descobertos no Minho, neste caso encontrado no Castro de Sabroso. Salienta-se ainda uma pequena estátua quase completa que representa uma figura, seguramente feminina, com às mãos sobre o ventre, representado aquilo que seria uma Mater ou uma figura divina, sendo a única escultura de um ser humano recolhido na Citânia de Briteiros. Outro achado também interessante em apresentar é uma escultura em baixo-relevo cujo significado ainda é discutido, mas que se acredita representar um combate ou uma cena sexual, onde estão representadas duas figuras, estando uma a segurar o cabelo da outra.
Mas aquela que é considerada a melhor peça de todo o museu e uma das mais impressionantes e importantes de toda a cultura castreja do noroeste peninsular é a Pedra Formosa de Briteiros. Esta é a Pedra Formosa original, que ganhou o nome de formosa pela beleza da sua decoração. Teria pertencido a um dos balneários da Citânia de Briteiros, mas que quando é descoberta por Francisco Martins Sarmento quando decorava o adro da Igreja de Santo Estêvão de Briteiros em 1876. Mede mais de 2,90 metros de largura e 2,28 de altura. A natureza dos balneários castrejos e a beleza desta Pedra Formosa tornam-na numa referência do estudo da cultura castreja. A entrada no museu faz parte do bilhete de entrada da Citânia de Briteiros, não sendo necessário adquirir outro bilhete. Isto demonstra a vontade da Sociedade Martins Sarmento de levar o visitante a complementar a sua visita à citânia com a visita a um espaço museológico onde se encontra o principal espólio aí descoberto, com algumas peças e artefactos únicos na proto-história de todo o noroeste peninsular. Conclui-se, portanto, que o Museu da Cultura Castreja é também um ponto obrigatório de visita para quem quiser conhecer melhor a história da Citânia de Briteiros, do arqueólogo Francisco Martins Sarmento e da cultura castreja do noroeste da Península Ibérica.
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Visita Guiada - Museu da Sociedade Martins Sarmento e Citânia de Briteiros. 2023. [Filme] Realizado por Ana Dias, Paula Moura Pinheiro. Portugal: RTP.