Fafe


Sítios Arqueológicos Castrejos

Castro de Santo Ovídio

Visitado a 20 de julho de 2025

Na parte oriental do distrito, continua-se esta investigação, desta vez pelo concelho de Fafe, onde muito próximo ao próprio centro da cidade de Fafe, se encontra o seu principal sítio arqueológico castrejo e também um dos mais conhecidos da região: o Castro de Santo Ovídio, classificado como Imóvel de Interesse Público, desde 1986. O castro teve as suas escavações feitas na década de 80, sendo ainda visíveis várias das suas estruturas, como uma das suas entradas de uma das suas muralhas. Um dos seus principais achados é uma estátua de guerreiro que supostamente daí seria oriunda e que foi adquirida por Francisco Martins Sarmento no final do século XIX, encontrando atualmente exposta no Museu da Sociedade Martins Sarmento, em Guimarães. Apesar de ser visto como o principal sítio arqueológico fafense, é um sítio arqueológico que parece muito desleixado e esquecido. Apesar da sinalética rodoviária, o seu principal acesso é escondido e confuso, uma vez que se trata de um pequeno carreiro feito pela lateral do portão de acesso a uma fábrica de tintas aí existente. No local do sítio arqueológico apenas existe um painel a dizer o nome do local e a sua classificação de proteção, nada mais. Nota-se que vai tendo alguns trabalhos de limpeza de tempos em tempos, apesar de possuir já uma boa quantidade de vegetação evasiva aquando da visita ao local. 

Aparentemente, há notícias que datam de 2015 a relatar que a Câmara Municipal de Fafe ia iniciar a requalificação do castro, mas aparentemente tais trabalhos nunca realmente saíram do papel. Esse projeto de requalificação envolvia uma parceria entre o município de Fafe, o Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEPF) e a Associação Recreativa e Cultural de Santo Ovídio (ARCO). Mais tarde, em 2020 foi anunciado novamente um novo trabalho e projeto de reabilitação do Castro de Santo Ovídio. A sua primeira fase foi de limpeza e manutenção das ruínas existentes, tendo sido realmente feita. Mas na mesma notícia apresenta-se ainda uma nova fase a ser realizada nos anos seguintes com a melhoria dos acessos, da interpretação e valorização turística e cultural do espaço arqueológico, que em verdade nunca chegou a avançar. Agrava-se ainda que várias violações foram efetuadas no sítio arqueológico e zona de proteção, como a construção de uma unidade fabril numa zona de não edificação (praticamente colado ao castro), alterações topográficas aquando da construção do IC5 e a escavação do solo por parte da EDP, sem acompanhamento de arqueólogos. A própria estrada construída de acesso à capela localizado no topo do monte também acabou por destruir parte do sítio arqueológico. 

Contudo, há que referir que Município de Fafe, de acordo com o Dr. João Nuno Machado, da Divisão de Cultura e Turismo, em 2026 tem em vista a realização de um conjunto de processos e intervenções que visam valorizar e promover o respetivo assentamento castrejo, tais como a construção de um novo acesso às ruínas, o melhoramento dos muros de suporte, a introdução de ferramentas de interpretação, o desenvolvimento de um centro interpretativo/museu e a dinamização de visitas guiadas e outras atividades através da elaboração de um serviço educativo e turístico. Comparando a visita efetuada em 2022 e a visita realizada em 2025, o Castro de Santo Ovídio apresentava exatamente os mesmos problemas, estando provavelmente em 2022 ligeiramente mais cuidado do que em 2025. 

Em termos promocionais, o Município de Fafe promove o castro como um dos seus principais recursos turísticos, quer nas suas brochuras quer mesmo no seu website turístico oficial. Além disso, encontra-se patente no elenco de recursos turísticos mais relevantes do Eixo Atlântico, sendo dos poucos castros a marcar aí presença. Mas apesar da sua boa promoção, pode-se concluir que o Castro de Santo Ovídio parece se tratar de um projeto em contínuo adiamento, sendo anunciado quase que a cada 5 anos, novamente, a sua reabilitação e valorização turística e cultural, nunca avançando realmente. Enquanto os decisores políticos continuarem a adiar esse mesmo trabalho, um dos maiores tesouros arqueológicos fafenses vai sendo cada vez mais ameaçado, não só por ação dos agentes de erosão naturais, mas também pela pressão urbanística da sua envolvente. Espera-se que os projetos apresentados pelo Dr. João Nuno Machado, a serem desenvolvidos pelo Município de Fafe em 2026 sejam de facto levados à avante, para salvar este relevante castro. 

Bibliografia

Associação de Património Cultural Atriumemoria, s.d. "Castro" de Santo Ovídio cada vez mais ameçado. [Online]
Available at: https://atriumfafe.blogspot.com/2011/09/castro-de-santo-ovidio-cada-vez-mais.html
[Acedido em 23 agosto 2025].

Direção-Geral do Património Cultural, 1994. Castro de Santo Ovídio. [Online]
Available at: https://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=1105
[Acedido em 23 agosto 2025].

Martins, M., 1981. Cadernos de Arqueologia. O povoado fortificado de Santo Ovídio

Turismo do Porto e Norte de Portugal, s.d. Castro de Santo Ovídio. [Online]
Available at: https://portoenorte.pt/pt/o-que-fazer/castro-de-santo-ovidio/
[Acedido em 23 agosto 2025].