Espinho
Sítios Arqueológicos Castrejos
Castro de Ovil
Visitado a 28 de junho de 2025
Continuando por territórios a sul do rio Douro, encontra-se o concelho de Espinho, onde também somente foi visitado um sítio arqueológico castrejo: o Castro de Ovil, selecionado por ser Imóvel de Interesse Municipal desde 1990. Encontra-se muito próximo ao centro da cidade de Espinho e deve-se aqui realçar que se encontra muito bem conservado. O castro teve um trabalho de requalificação, preservação e musealização ocorrido no início do século XX. O seu projeto de musealização foi efetuado pela Câmara Municipal de Espinho, mais concretamente, pela sua equipa de arqueologia que retomou as escavações nos anos 90, após um período de interregno de trabalho arqueológicos. Da perspetiva de um visitante, deve-se aqui enunciar a reduzida quantidade de sinalética rodoviária até ao espaço e, até, na opinião do investigador, a reduzida segurança da sua principal via de acesso, que apesar de se encontrar em boas condições, esta é ladeada por uma linha de caminhos de ferro ativa sem qualquer vaia ou barreira protetiva que separe ambos.
À chegada ao sítio arqueológico, não existe muito espaço de estacionamento, contudo salienta-se aqui a continuação do caminho em terra batida que possibilita a entrada de veículos motorizados na área arqueológico, podendo colocar em perigo a mesma. Entende-se que o local deva ser acessível por este tipo de viaturas num âmbito de campanhas científicas e arqueológicas, mas para isso a vedação do espaço e até a colocação de uma espécie de portão nesse acesso daria mais proteção a esse mesmo sítio arqueológico. Logo à entrada, o visitante é recebido por um painel informativo com informação em português e inglês, onde se encontra o único mapa disponível em toda a área arqueológica. Ao longo do caminho os painéis acabam por auxiliar um pouco a orientação da visita. Não existe nenhuma vedação que impossibilite o acesso do visitante às ruínas, o que acaba por ser um risco para a sua vandalização e destruição (por vezes acidental). O processo de musealização do Castro de Ovil acabou também por aproveitar as ruínas que existiam no seu sopé sul de uma pequena fábrica de papel: a Fábrica de Papel Castelo que aí operou entre o século XIX e os anos 70 do século XX. Na integração das ruínas da fábrica acabou por incorporar a este sítio arqueológico também uma componente de turismo industrial, podendo o visitante observar através da fábrica arruinada alguns dos métodos passados na produção do papel. Uma pequena parte da ruína da fábrica foi adaptada para a colocação de casas de banho para ambos os géneros, encontrando-se as mesmas à data da visita completamente abandonadas, sem nenhuma limpeza, vandalizadas e já com alguma vegetação evasiva. O seu espólio está depositado na Câmara Municipal de Espinho, no seu museu municipal, contudo, após contacto telefónico com funcionários do museu, o espólio não se encontra exposto. O sítio arqueológico é alvo de visitas guiadas efetuadas por marcação prévia, mediante contacto com o Museu Municipal de Espinho, possuindo ainda uma pequena brochura desdobrável que é entregue no posto de turismo local, no respetivo museu e na biblioteca municipal a quem o desejar.
Quanto à sua promoção, a Câmara Municipal de
Espinho promove o Castro de Ovil como o seu principal assentamento arqueológico
e um dos principais monumentos existentes no concelho. Além disso, possui a sua
própria página na rede social Facebook, na qual são divulgadas algumas das
atividades que aí ocorrem, apesar de não ter atualizações de conteúdos desde
2022. Salientar que em 2019, foi publicada uma pequena reportagem do Jornal de
Notícias sobre o Castro de Ovil, onde o presidente do município na altura, o
Dr. Pinto Moreira, esclarecia como foi efetuada todo o processo de
musealização, referindo que ainda faltava realizar a terceira fase do projeto
que consistia na construção de um centro interpretativo do castro, em parte das
ruínas da fábrica aí existente. O próprio arqueólogo municipal, o Dr. Jorge
Salvador, apresentava ainda a vontade de realizar novas escavações
arqueológicas para esclarecer melhor a história e o passado do Castro de Ovil.
Mais tarde, essa mesma vontade foi novamente salientada pelo mesmo arqueólogo
numa reportagem efetuada pelo Porto Canal em 2021. Contudo, na visita realiza
em 2025, denotou-se que essa terceira fase nunca avançou, seguramente, devido
ao período seguinte da pandemia mundial provocada pelo vírus SARS-COV2, e
também pela alteração de presidente e executivo municipal nas eleições
autárquicas realizadas em 2021 (que poderão ter redefinido outros objetivos
prioritários). O Castro de Ovil acaba por ser um bom exemplo de um sítio
arqueológico castrejo que iniciou o seu processo de musealização, por vontade
local e política, por ser um importante marco da história da região e um
produto diferenciador do turismo de sol e mar ao qual o município de Espinho se
encontra inevitável associado, mas que por infortúnios do destino e mudanças
ideológicas, nunca viu findado esse mesmo processo, encontrando-se atualmente
no que se poderia designar de um limbo. Contudo, o Dr, Jorge Salvador, em entrevista,
referiu que se encontra de momento "[…] em fase de desenvolvimento a sua
integração como produto cultural e turístico do concelho de Espinho […]", sendo
também realizadas pontualmente algumas visitas guiadas ao local, por marcação
prévia. Mesmo que o seu processo de musealização não tenha ainda sido finalizado,
o Castro de Ovil anualmente é alvo de uma ação ou conjunto de ações de promoção
cultural e educativa, sendo apresentado como exemplo pelo Dr. Jorge Salvador a
realização de um concerto no castro no âmbito da iniciativa Sons do Património
da Área Metropolitana do Porto. Aliás,
neste momento a Câmara Municipal de Espinho efetuou uma candidatura para a
valorização do património arqueológico e museológico do seu concelho no âmbito
do concurso NORTE 2030 – 2024-46 – Património Cultural (IT), ao abrigo do NORTE
2030, com o objetivo de preservar e valorizar as ruínas arqueológicas do castro,
requalificar o seu circuito atual de visita e criar um núcleo museológico
dedicado ao Castro de Ovil no Museu Municipal de Espinho, ao contrário da ideia
anteriormente referida de o constituir no próprio sítio arqueológico. Por fim, salientar
também que o castro se encontra imortalizado na toponímia local, existindo na
sua proximidade um arruamento chamado de "Rua do Castro de Ovil".
Bibliografia
Câmara Municipal de Espinho,
s.d. Estação Arqueológica - Castro de Ovil. [Online]
Available at: https://www.visit.espinho.pt/pt/turismo/estacao-arqueologica-castro-de-ovil/
[Acedido em 21 agosto 2025].
Direção-Geral do
Património Cultural, 1999. Castro de Ovil. [Online]
Available at: https://www.monumentos.gov.pt/site/app_pagesuser/sipa.aspx?id=731
[Acedido em 21 agosto 2025].
Museu Municipal de
Espinho, s.d. Castro de Ovil. [Online]
Available at: https://museumunicipal.espinho.pt/pt/historia-local/castro-de-ovil/
[Acedido em 21 agosto 2025].
Ondas da Serra, 2018. Conhecer
a Estação Arqueológica – Castro de Ovil. [Online]
Available at: https://ondasdaserra.pt/index.php/espinho-concelho/espinho-fazer/item/1483-estacao-arqueologica-castro-de-ovil
[Acedido em 21 agosto 2025].
Salvador, J., Silva, A. & Sárria, C., 2005. O Centro Interpretativo do Castro de Ovil (Espinho) - A Construção de um Espaço de Memória. Em: V. Jorge, ed. Conservar Para Quê?. Porto: Universidade do Porto, pp. 303-326.